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A mostrar mensagens de fevereiro, 2023

"A fonte de todos os males"- Prisão de ventre

Prisão de ventre fonte de todos os males Prisão de ventre sugere a imagem do pobre intestino atrás de grades, clamando em vão por liberdade. Uma imagem suficientemente forte para fazer com que milhões de pessoas se tornem consumidoras de laxantes ou até que procurem médicos. Prisão de ventre, ou obstipação, não é um conceito unânime, pela simples razão de que não existe um padrão “normal” de evacuações, cuja frequência pode variar de três a doze vezes por semana, sem qualquer problema. Geralmente corrige-se ingerindo mais líquidos, mais fibras ou fazendo exercício. Mas, ao longo da história, "os prisioneiros do ventre", tal como a Nau Catrineta, têm muito que contar... Desde a Antiguidade, o objetivo maior dos médicos era “limpar” entre nós "a alimpação do sangue " o organismo, aliviá-lo dos excessos e das impurezas. Isso era feito de duas maneiras: pela sangria e pela purga (Na Nau Catrineta, eram tantas as sangrias, que morriam da cura os doentes). Esta última ...

Modas na Medicina relacionadas com o tubo digestivo

Distúrbios funcionais de natureza motora e secretora para explicar os quadros clínicos mal definidos. As disquinésias o conceito das discinesias ganhou nova dimensão e a vesícula hipocinética, popularmente chamada de “vesícula preguiçosa”, passou a ser a bengala de apoio dos hipocondríacos e a figurar nas conversas elegantes dos acontecimentos sociais. Mais elegante, entretanto, do que ter a vesícula preguiçosa. “sofrer do fígado”. o fígado retomou o lugar, de ser novamente o centro da vitalidade do organismo , atribuíndo-se -lhe a etiologia de todas as mazelas, desde a cefaleia à obstipação intestinal. Hoje em dia substima-se o aparecimento galopante Fígado gordo naõ alcoólico,corolário de sindrome metabólico. o prof. Waldemar Berardinelli, há alguns anos, escreveu um artigo com muito senso de humor, sob o título de “o Fígado nacional”, no qual ele demonstra que o povo brasileiro é o que mais diz sofrer do fígado em todo o mundo. Segundo o prof. Heitor Rosa são três as paixões...

AMULETOS

Desde sempre o homem procurou conhecer-se. Ao fazê-lo esbarra, a cada passo, com o desconhecido que o rodeia e que, logicamente, não consegue compreender. Apercebe-se, então, de que é o centro de um universo paradoxal para o qual convergem forças antagónicas que o gerem e o conduzem. Confrontando com a presença da dicotomia fundamental do Bem e do Mal, realidades que não controla e explica, tenta refugiar-se, desde a Antiguidade, num casulo poroso ao Bem mas não permeável ao mal. Daí que crie, à sua volta, mecanismos psicológicos com base em elementos físicos, que lhe permitam resguardar-se de investidas ocasionais de seres sobrenaturais maléficos ou de actividades dos mesmos. Aparecem, deste modo, na História do Homem, os AMULETOS, que actuam por sugestão. É que, o homem, possuído pela angústia que lhe advém do medo do desconhecido, projecta nesses objectos (quantas vezes de uso corrente) amálgamas de tensões que vão esbatendo as forças do ``feitiço´´ e /ou do ``mau- olhado´´. Tudo ...

MEDICINAS POPULARES

``A doença e seu tratamento são processos biológicos só em abstracto … o facto de que uma pessoa adoeça a classe de doença que tem, o tipo de tratamento que recebe depende fundamentalmente de factores sociais.´´  O papel da História Médica na Educação Médica,Erwin H. Acherknetcht As práticas marginais à medicina oficial não só subsistem como se multiplicam. Paradoxalmente não são populações ofuscadas de obscurantismo na sociedade rural e longínqua, que as fazem sobreviver. Elas aparecem manipuladas em conjunto com o consumo da Medicina Oficial. À sombra dos Hospitais Públicos e Centros de Saúde florescem curandeiros urbanos. Como explicar a existência de milhares de curandeiros em Paris (Cidade-Luz)? Reconheçamos, a Medicina Oficial não é a gasua que abre todas as portas da Vida (saúde/doença). No entanto teima-se (no mundo ocidental) a fornecer aos seus protagonistas uma Educação Médica mais similar e uniforme, com planos de estudo standartizados – modelo burocrático-racional - , pens...

Compreender para Sossegar

Segundo Paré,compete ao médico "aliviar sempre ecurar às vezes".Para isso,necessita de sossegar os medos para ajudar o corpo amelhorar.Mas para sossegar,necessita de o compreender,istoé,impõe-se que se saiba que normalmente o doente já pensou na sua doença antes de ir ao médico e tem já uma ideia do diagnóstico e da terapêutica.Deverá colocar-lhe como estas: qual a causa do seu mal?qual a gravidade da situação?Assim como perguntar-se"o que este doente quer de mim?qual a sua mensagem ?(nem sempre fácil descodificar)"Um ombro para chorar, alguém para perdoar e redimir,desculpabilizá-lo,encontrar uma forma intima de se virar para si próprio. Encontrar uma forma de novas interações com os outros,ou muito prosaicamente quer baixa"porque já desconto há seis anos para a caixa. "Sabemos pois que a doença é uma das formas que a pessoa tem de relacionar com os outros e consigo próprio. Por vezes surge a nossa estupefação de vermos um poucos melhores sem sabermos be...

A relação médico-doente

A relação médico-doente A relação médico-doente envolve uma arte e uma técnica. Supõe artimanhas (arte e manhas), até porque se estrutura numa navegação a dois num mar de angústia. Angústia sentida pelo doente que quer a cura ou o alívio do sofrimento. E um solidário sentimento de partilha por parte do médico em lhe ser útil e eficaz. Neste mar adverso, médico e doente resolvem fazer a sua viagem, cada qual a governar o seu barco (manutenção dos respetivos estatutos sociais) mas juntos sonham chegar a porto seguro. Como primeiro responsável pelo êxito da viagem compete ao médico interrogar-se ``O que é um doente´´? Sem dúvida que é uma pessoa, mas fragilizada, que apresenta um pensamento mágico-primitivo. Apresenta uma maneira de reagir bem diferente da que é própria quando não está em sofrimento. Na luta contra a doença assiste-se com frequência a uma demissão de parte importante da inteligência do paciente. Perante a ameaça e a doença verificam-se, amiúde, casos de regressão ou de ...

As Crenças e Representações Mentais da Doença e Cura

As doenças e a saúde são também ``construções sociais´´. Grupos sociais diferentes, constroem a sua visão do mundo, a sua escala de valores com que classificam a realidade. A este propósito é exemplar a ``noção de tuberculose´´: o sociólogo – relaciona-o com a pobreza (má nutrição/promiscuidade); o escritor romântico - ``doença do amor´´; o operário – como doença dos fracos; o médico – acha-a resultante do bacilo de de Koch; (até ser isolado o bacilo de Koch as histórias clínicas da TP eram, por vezes, tão laboriosas e tão românticas como algumas das nossas actuais histórias clínicas em Psiquiatria. É-nos fácil compreender que, principalmente a população idosa e menos urbanizada, (que encara a doença como o castigo divino, onde perdura o mito do pecado original) recorra à medicina mágica e/ ou religiosa. Senão veja-se o contentamento com que aceita cumprir tabus (proibições mágico-religiosas cuja transgressão leva ao castigo sobrenatural) como por ex.: dietas, jejuns… Veja-se, ainda, ...

O que é um doente

Sem dúvida que é uma pessoa, mas fragilizada, que apresenta um pensamento mágico-primitivo. Tem uma maneira de reagir bem diferente da que lhe é própria quando não está em sofrimento. Na luta contra a doença assiste-se com frequência a uma demissão de parte importante da inteligência do paciente. Perante a ameaça e a doença verificam-se, amiúde, casos de regressão ou de reacção de protecção do organismo: posiciona-se como um feto (posição fetal), toma atitudes adolescentes ou infantis ("dobramo-nos").Neste regredir há uma redução temporo-espacial: o doente vive no tempo presente e isola-se; há um egocentrismo, não consegue colocar-se no lugar de outrem; há dependência e como criança "tem necessidade dos outros".Porquê esta necessidade de regressão? Acreditamos que para ser melhor ser tratado, para obter atenção afectiva particular, para se subtrair a alguma realidade.responsabilidade e, muitas vezes, para requerer protecção económica.Em suma, no estar doente há um r...

As Termas

“As caldas conciliam tudo, mudança de ares, exercício ameno, banhos, copinho, peregrinação entretenimento e vita nueva.” Júlio César Machado Há milénios que a água, símbolo de limpeza e purificação é utilizada no tratamento das nossas maleitas. Do banho colectivo dos indus, no Ganges, ao baptismo dos cristãos, a sua ritualização é omnipresente desde o fundo dos tempos. Hipócrates, o pai da Medicina, refere a utilização terapêutica da água mas, é com os romanos que a acção hidro-medicinal atinge o seu maior esplendor. As termas romanas são descritas como autêntico eco-sistemas, cidades dentro de cidades, lugares onde se tomavam, também, deliberações económicas e políticas e, até mesmo, refeições… “Quinta do Lago e da Marinha” do nosso actual imaginário… Do ontem para o hoje, a diferença existente é que as mais célebres escolas de Medicina surgiram junto desses centros termais. Durante muito tempo, os conhecimentos sobre águas são puramente intuitivos e empíricos. A simples constat...