Mensagens

A mostrar mensagens de setembro, 2023

“ a castanha não quer água ;nem do Céu nem da Terra"

A castanha é consumida pelo Homem desde a pré-história, surpreendeu-me saber que as fontes existentes, referentes ao fruto (maioritariamente escritas), cobrissem um período de cerca de 26 séculos! O castanheiro europeu, que produz a castanha que hoje comemos,já estava bem implantado na Grécia e suas colónias (nomeadamente na Sicília e na península itálica). Os Romanos terão dado um impulso para o cultivo da espécie nos seus domínios. Nomeadamente em Portugal, teriam -se intensificado, as formas mais evoluídas de castanheiros pois, já os haveria nas velhas florestas na Lusitânia, pelo menos as formas de castanheiro bravo.Do famoso médico grego Galeno de Pérgamo século II as suas recomendações sobre as castanhas também chegaram até hoje, onde diz “ dão ao corpo mais nutrição do que qualquer outra selvagem fruta mas geram gases, inchaço e constipação e provocam apetite venéreo e comendo uma quantidade delas, dão dor de cabeça” uma perigosa combinação do bem e mal que esta luta fruta t...

No tempo em que os tremoços eram " frescos "

É interessante descobrir que o tremoço, foi outrora, um alimento indispensável nas mesas mais abastadas e que simbolizava o dinheiro, nas antigas comédias romanas. Diz-se em Portugal que o tremoço é o «marisco dos pobres». Em certas zonas do centro do País, era costume ,noivos, nas proclamas dos casamentos, oferecer aos amigos vinho e tremoços. Tal como o grão, o feijão, a ervilha ou a lentilha, o tremoço é uma leguminosa e, por isso, é um legume com proteína de origem vegetal muito peculiar. Fruto de uma planta designada de “tremoceiro” do género “Lupinus albus”, entre nós, o tremoço dá o nome a uma das terras mais bem avinhadas de Portugal - Estremoz e é no Alentejo que ainda se vislumbram os campos lindíssimos, de tremoceiros em flor. A cultura e produção de tremoço era espontânea em Portugal, uma vez que, crescia bem em más condições agrícolas, e resistente a pragas, requeria menos água do que muitas outras culturas. Hoje em dia, semeia-se em parte, para voltar a enterrar ou par...

A canela do sonho .....à farófia

A canela de sonho …a farófia Originária da China e de Ceilão, esta especiaria é extraída de uma árvore, Cinnamomum Verum, em forma de pó e em pedaços, foi e é pessoa de família, entre os portugueses e na culinária lusa, como iremos ver. Na antiguidade egípcia a canela era mais preciosa do que o ouro, utilizada como bebida, como agente medicinal e de embalsamar ;(muito similarmente como o mel?) O comércio, esse, era feito pelos árabes, que mantiveram secreta a origem do produto, elevando assim o seu valor comercial. Seria da China? ou de Ceilão? --"Vinha do Oriente".(que na altura seria o Paraíso)Enigmáticas histórias contribuíram para manter uma mística, e a exclusividade do uso da canela, passou a ser acessível somente a classes privilegiadas. O monopólio das rotas e do comércio das especiarias, manteve-se nas mãos dos muçulmanos até ao séc. XV, partilhado com os Italianos (Genoveses e Venezianos) que as distribuíam para o resto da Europa (apesar das bulas papais proibirem...

O feijão e as defesas

Um dia perguntaram a Umberto Eco qual tinha sido para ele o facto mais importante do segundo milénio. Umberto Eco, terá sido perentório foi a introdução do feijão na EuropaDurante a Idade Média e até ao final do século XV as leguminosas que se cultivavam em Portugal e no mundo Mediterrânico e entravam na alimentação humana eram a fava a ervilha o feijão frade o grande bico e a lentilha aquém muito devem as sociedades mediterrânicas. Mas com a entrada do feijão das américas…. é e foi outra coisa! Como iremos ver Ao que parece, originário do Novo Mundo (Peru,) foi trazido então para a Europa pelos navegadores hispânicos,aliás os escritores quinhentistas portugueses já se referem ao feijão e á a sua expansão m Portugal. No entanto,atribui-se a um religioso, o mérito, de ter sido o primeiro a apreciar esta nova leguminosa e em difundir as suas qualidades. Corria o ano de 1528, quando um cónego Italiano, Pietro Valeriano, recebeu das mãos do Papa Clemente VII uma curiosa e desconhecid...