O que é um doente
Sem dúvida que é uma pessoa, mas fragilizada, que apresenta um pensamento mágico-primitivo. Tem uma maneira de reagir bem diferente da que lhe é própria quando não está em sofrimento. Na luta contra a doença assiste-se com frequência a uma demissão de parte importante da inteligência do paciente. Perante a ameaça e a doença verificam-se, amiúde, casos de regressão ou de reacção de protecção do organismo: posiciona-se como um feto (posição fetal), toma atitudes adolescentes ou infantis ("dobramo-nos").Neste regredir há uma redução temporo-espacial: o doente vive no tempo presente e isola-se; há um egocentrismo, não consegue colocar-se no lugar de outrem; há dependência e como criança "tem necessidade dos outros".Porquê esta necessidade de regressão? Acreditamos que para ser melhor ser tratado, para obter atenção afectiva particular, para se subtrair a alguma realidade.responsabilidade e, muitas vezes, para requerer protecção económica.Em suma, no estar doente há um revelar e resvalar para "posições primitivas", reactivam-se sentimentos religiosos, empola-se o apelo emocional à protecção que faz parte do passado biológico do homem, do seu lento desenvolvimento e maturação.Em contraste, readquirida a saúde, volta tranquilo e descuidado à sua vida relacional, como se a doença e o mundo em que se moveram por algum tempo fossem outra.
(Extrato do artigo Representações mentais da doença e da cura 1992)
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