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Doce da Teixeira

Doce da Teixeira cozinhar é também contar uma história . O Biscoito da Teixeira é um doce tradicional português com identidade própria: tem cor escura, formato retangular e é cozido em forno a lenha, o que lhe confere sabor e textura muito particulares. É preparado de forma artesanal e distingue-se pelo sabor intenso e aromático a limão, que o torna imediatamente reconhecível — e que o coloca no mapa afetivo da doçaria nortista portuguesa. Ao contrário de muitos doces que nasceram nas cozinhas conventuais ou palacianas, o biscoito é claramente uma criação das cozinhas humildes rurais: ingredientes simples, técnicas transmitidas de mães para filhas e para gerações sucessivas, e uma presença constante em feiras, festividades e romarias populares por todo o norte do país, sobretudo no Douro. A história exata do biscoito ainda não está documentada em textos antigos ou crónicas oficiais — o que temos são registos orais e etnográficos que o mencionam em romarias já no século XIX, bem como ...

O pastel de feijão – coisa de memória e de gula.

O pastel de feijão – coisa de memória e de gula. Sabia que os primeiros registos escritos sobre a introdução do feijão no território português datam do século XVI? Chamado de “feijão do Peru” ou “feijão das Índias Ocidentais”, foi acolhido nos campos e hortas das ordens religiosas — nomeadamente nos quintais dos franciscanos e beneditinos, onde se cultivava o necessário para sustento e partilha.Phaseolus vulgaris, na sua versão branca, tornou-se estrela discreta da gastronomia lusa: ora nas sopas de feijão com couve e chouriço, ora em forma de creme, ora… em pastel. Sim, o pastel de feijão! Aquele que leva muito açúcar, muitas gemas, massa fina e paciência — lembrando os doces conventuais, embora por cá não haja registo direto de mosteiros que o tenham inventado. Talvez por inspiração das freiras de Odivelas, de Arouca ou do Lorvão, que dominavam a arte de transformar leguminosas em massas doces e espessas (Simões, 2001). A verdade é que há outros pastéis de feijão pelo país (Ex ...

TERAPIA e FANTASIA

TERAPIA e FANTASIA No filme Tratamento de Choque (2003), o genial Jack Nicholson interpreta um terapeuta tão maluco que a gente se pergunta: será que o terapeuta não é ele próprio o doido da história? O filme até tenta responder — meio forçadamente, vai — mas a pergunta mais divertida fica no ar. Afinal, terapia e extravagância sempre andaram de mãos dadas. Lá no fim da Idade Média, o "tratamento” para a loucura era uma espécie de show de horrores: o paciente era contido, faziam uma incisão no couro cabeludo e tiravam uma pedra — supostamente a causa da insanidade. Daí a expressão "louco de pedra" daí a expressão “Tem cá uma pedrada! “. Também usavam técnicas sutis como atirar o paciente para poços de água gelada, encenar quedas de torres ou acorrentar o paciente . Com o tempo, as terapias ficaram mais refinadas — ao menos no nome. No séc. XVIII, o vienense Franz Mesmer inventou o mesmerismo. Acreditava numa energia universal transmitida por magnetismo. Suas sessões envo...

Bacalhau(gadus morhua)

Bacalhau(gadus morhua) Através dos Vikings , sabia-se que este peixe podia conservar-se bem, depois da secagem. Seria obtido e comerciado na troca pelo sal e vinho por nós portugueses, que o salgávamos e e assim se aumentava a sua conservação.( há autores que atribuem os primórdios desse negócio aos bascos ,o que para nós é pacífico) . Na Idade Média, a hierarquia eclesiástica a partir do séc. X autorizou o consumo de peixe na época da Quaresma que alegoricamente foi representada por uma “ velha vestida com uma longa saia, da qual espreitam sete pés-um por cada semana , que durava o período da penitência -e que leva pendurado na mão um bacalhau seco. O peixe passa a ser a ,No entanto, os peixes marinhos frescos que se vendiam tinham preços proibitivos e só podiam consumidos pelas classes mais prestigiadas, que vivessem próximo do mar., ou então os privilegiados que pudessem pagar a bula da “Santa Cruzada . (que foi somente abolida ,após a realização do Vaticano II, anos 60) O...

Novos tempos, velhos medos I

Novos tempos, velhos medos I Um saber moderno, trouxe argumentos positivos em relação ao consumo de carnes vermelhas (porco e vaca) que dissiparam atávicos receios que contra ela têm, muitas pessoas. No entanto hoje, existem outros pesadelos . O homem é um ser omnívoro, capaz de obter os nutrientes de que precisa para viver ,de uma enorme variedade de alimentos, tanto de origem vegetal como do reino animal. .Os produtos de origem animal “carne, leite, ovos “ainda que não sejam totalmente indispensáveis para a sobrevivência, constituem uma fonte especialmente estimada de nutrientes, sobretudo em proteínas de alto valor biológico . Neste sentido alguns antropólogos, atribuem um papel determinante no processo evolutivo do Homem, ao progressivo aumento do consumo de carne, por parte dos primitivos hominídeos, e já que segundo este raciocínio, a caça favorece e exige a posição bípede, o que melhora, o campo visual e deixa livre as mãos, para manipular objetos, para além de estimular a...

Os porcos feios e maus

Os porcos feios e maus Os porcos foram domesticados no médio Oriente à cerca de 7000 anos, depois das ovelhas e das cabras (9000 A). Mas eles precisavam de lama, sombra, não produziam leite e comiam os mesmos alimentos que os homens, então, não havia grande lucro em criar porcos. Nas comunidades do Médio Oriente que combinavam pastoreio com agricultura, os animais domésticos eram uma fonte de leite, queijo, couro, fibras, tração para lavrar ou carregar e, no final da vida, a possibilidade adicional de obter carne magra. Desse ponto de vista, a carne de porco era certamente um artigo de luxo, objeto de luxúria valorizada pela sua carne macia e gordurosa. Ao longo dos séculos: à medida que a agricultura e a pecuária ruminante se desenvolveram, o desmatamento aumentou, a sombra diminuiu e os poucos locais frescos, fizeram do porco uma espécie cada vez mais excecional, um luxo ecológico. Por outro lado, a população humana começou a crescer o suficiente, para precisar dos alimentos, que ...

Final Ameixas (Prunus doméstica)

Final Ameixas (Prunus doméstica) São muitos os autores a estar de acordo em identificar o Cáucaso e os Balcãs como as regiões de origem da ameixoeira. Desde a mais recuada antiguidade, que esta árvore cultivada em múltiplas variedades, foi transplantada e trabalhada pelos romanos que residualmente deixaram ficar ainda, algumas adaptativas variedades. No extremo Oriente, a ameixa ficou como o símbolo da plenitude sexual da mulher. Os médicos árabes e da idade média recomendavam-na, frequentemente. Existem muitas variedades de ameixas no mercado. As variedades mais conhecidas são as pretas, roxas e as amarelas que vão desde a Golden Japão com casca de palha amarela a Santa rosa nativa da ameixa Silvestre asiática e Letitia hilarion ex são ameixa roxas muito grandes consistentes ,conhecidas pela ameixa morango Mat lei. No entanto a nossa predileção chama-se Rainha Cláudia “fruta suculenta, doce e requintada de aroma intenso. que teve a sua origem, numa árvore ornamental francesa pa...