Modas na Medicina relacionadas com o tubo digestivo

Distúrbios funcionais de natureza motora e secretora para explicar os quadros clínicos mal definidos. As disquinésias o conceito das discinesias ganhou nova dimensão e a vesícula hipocinética, popularmente chamada de “vesícula preguiçosa”, passou a ser a bengala de apoio dos hipocondríacos e a figurar nas conversas elegantes dos acontecimentos sociais. Mais elegante, entretanto, do que ter a vesícula preguiçosa. “sofrer do fígado”. o fígado retomou o lugar, de ser novamente o centro da vitalidade do organismo , atribuíndo-se -lhe a etiologia de todas as mazelas, desde a cefaleia à obstipação intestinal. Hoje em dia substima-se o aparecimento galopante Fígado gordo naõ alcoólico,corolário de sindrome metabólico. o prof. Waldemar Berardinelli, há alguns anos, escreveu um artigo com muito senso de humor, sob o título de “o Fígado nacional”, no qual ele demonstra que o povo brasileiro é o que mais diz sofrer do fígado em todo o mundo. Segundo o prof. Heitor Rosa são três as paixões do brasileiro: futebol, carnaval e “sofrer do fígado”. E a indústria farmacêutica sabe disso, pelo volume de vendas diretas ao consumidor, nas farmácias, de “remédios para o fígado”. A maioria de tais medicamentos traz em sua fórmula as mais esdrúxulas composições, predominando em geral a mistura de um pretenso antitóxico com um fator lipotrópico e um laxativo. Ultimamente a preocupação com o fígado tem declinado Moda da gastrite e pelo refluxo gastroesofágico. Raro é o paciente com queixas dispépticas que não as atribua à gastrite. Por sua vez, o refluxo tem centralizado a atenção, tanto dos médicos, como dos leigos; mesmo sem comprovação, tem sido responsabilizado por distúrbios mal definidos dos aparelhos digestivo e respiratório. Consequência; um consumo de Inibidores da Bomba de Protões exorbitante com todos os efeitos secundários que se conhecem , hoje.Ao bloquear a produção de ácido do estomago, algo que é necessário para a digestão normal, deixam uma certa vulnerabilidade imunológica associada à suscetibilidade de proliferação de infeções e doenças virais e fúngicas por deficiências nutricionais e vitamínicas, para além de doenças cardíacas,insuficiência renal crónica e uma dificuldade em excretar o ac.úrico Moda da colonoterapia Ao final do século xx assistimos, também, ao ressurgimento da prática da limpeza do cólon, agora com o nome de Colonterapia ou hidroterapia do cólon, sob o fundamento da existência de toxinas fecais que ficam retidas no cólon e que devem ser eliminadas . Embora sem a aprovação da medicina oficial, centenas de clínicas espalhadas por vários países dedicam se a este procedimento. Utilizam moderna tecnologia, com aparelhos automáticos que injetam e aspiram através de sonda introduzida no reto, cinquenta a sessenta litros de água. Do folheto de uma destas clínicas transcrevemos as seguintes indicações, que chegam a ser folclóricas, tais como “prisão de ventre, flatulência; em processos de desintoxicação; estresse,cansaço, irritabilidade; auxiliar no tratamento da pele (acne); prevenção do câncer do intestino; enxaquecas etc.”. Moda da colite, termo vago e de natureza imprecisa, muito utilizado no passado para designar os casos de padecimentos abdominais de qualquer natureza. Axel Munthe, no seu extraordinário O Livro de San Michele, conta nos, como era bem aceite o diagnóstico de “colite” pela clientela das grandes capitais europeias – uma doença compatível com uma longa vida e que garantia ao seu portador o direito de reivindicar maior atenção. Muitos dos casos então rotulados de “colite” correspondem ao que passou a ser designado por cólon irritável, cólon espástico, neurose cólica ou, mais recentemente,intestino irritável .Hoje em dia postula-se haver subjacentemente um reação alérgica,em alguns , pelo que se coloca a hipotese de tratamento anti histamínico.

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