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A mostrar mensagens de novembro, 2022

Beber em Português

Sendo Viseu uma zona de excelente e antiquíssima qualidade de vinho, forçoso se torna optimizar por todos os meios (turística, gastronómica e economicamente) este potencial da nossa região. Por tal compete-nos debruçar-nos sobre ele.Não nos é difícil imaginar que o homem primitivo, na sua busca de alimentos, tenha tropeçado em coisas com as quais se envenenou (parcialmente). Terá certamente encontrado substâncias que o fizeram alterar o seu estado de pensar e até, o seu “juízo perfeito”.>Ora esse homem primitivo, angustiado por perigos vários (feras, tempestades e desconhecido), foi criando as suas superstições e seus mitos ou não fosse “a angústia a mãe do mito”. Criou, assim, a categoria de “alimento sagrado” ao experimentar o vinho, os alucino génios, osexcitantes… E seriam mágicos, os feiticeiros, os sacerdotes que teriam a arte de trabalhar com estes “alimentos” e os fariam parte integrante de rituais (de iniciação, matrimónio, exorcização, cultos dos mortos…).É-nos fácil ver a...

Castanheiro

De “castanea”, expressão latina, deriva castanheiro, também com a inevitável lenda. Casta Nea, nome da ninfa que, resistente à provocação sexual de Júpiter (pai dos Deuses romanos), foi suplicada e …transformada numa árvore – o castanheiro – e… todos os Outonos, Casta Nea chora lágrimas – castanhas – “fruto dos frutos”, fonte de vida, de resistência – sempre! >Árvore quase milenar, “(300 anos a crescer, 300 em seu ser, e outros 300 a morrer)”, foi e é granítica força simbólica, que emana da Terra e da evocação dos nossos antepassados, dos cultos do Sol, do Fogo, dos mortos, estes nas suas lágrimas outonais (castanhas). Têm estas, hoje, uma função quase etnográfica de alimentos rituais em festividades cíclicas (Dia de Finados, S. Martinho e, em algumas zonas do País, no Domingo de Ramos). "Árvore titânica, trava a erosão da terra da Beira, que resvala para o efémero e frágil calcário, ao qual, foi e é avessa – sempre! Árvore da segurança, “o ferro de Portugal”, árvore da so...

Oliveira e Azeite

Se o Mediterrâneo foi o berço da civilização ocidental, a oliveira foi e é o seu emblema. A linha formada pelos limites do seu cultivo serviu para marcar e definir um ecossistema, um território agrícola genuíno, ( vales e socalcos deslizantes que se afogam no Mare Nostrum). Na Antiguidade , nenhuma outra árvore foi tão útil, tão valiosa e venerada .Os seus ramos coroaram heróis, não só de sangrentas guerras, mas também de grandes acontecimentos desportivos como os Jogos Olímpicos. A azeitona que varejamos-"verde foi o meu nascimento e de luto me vesti para dar luz ao Mundo, mil cuidados padeci"e o azeite que saboreámos ,tiveram aplicações múltiplas. Da iluminária de azeite,a primeira descrição aparece no Êxodo, com a referência ao candelabro de braços ou Menorah, símbolo do povo judaico. Segundo essa passagem, Deus encarregara Moisés da construção do objecto litúrgico, assim como, da sua posterior colocação no Templo.Para o acender, "ordenou-lhe" que utilizasse únic...

D. Zeferino

Dom. Zeferino Sendo pacifico, hoje em dia ,que a Culinária merece figurar “no quadro de honra” na História das Artes, em pé de igualdade com as plásticas, musicais ou literatura que ao longo dos milénios foram desenvolvidas pela humanidade parece-nos justo aceitar o desafio de relembrar a memória deste Beirão D. Zeferino, terá sido um dos pioneiros (na sua curta vida ) de uma reformulação da Gastronomia Regional Beirã, durante 2ª metade do século XX , mastigada e bebida nos nossos Fialho de Almeida ,Abel Botelho, Bulhão Pato… ou posteriormente nos titânicos programas televisivos de uma grande Maria de Lurdes Modesto ou nas semanais crónicas saudosas de José Quitério no semanário Expresso ,pois seriam na altura , talvez, as referências existentes mais visíveis . Abalava ele até ás aldeias, farejando e caçando receitas em plenas conversas vadias sobre um tempo antigo, entre conterrâneos , que ainda guardavam a tradição oral. Tinha como bússola as convicções “onde há um cam...

DOENCAS DE OUTRORA

Masturbação Nomeadamente, nos anos dos séc XVIII e XIX,a masturbação era um sério tabu,sendo considerada uma conduta patológica, capaz de causar, desnutrição (por perda da proteína contida no esperma), acreditando-se mesmo, que para além de provocar doença física, também traria conjuntamente distúrbios mentais,logo- tratava-se de uma "doença". O movimento anti masturbação foi muito forte nos EUA, tendo como um dos expoentes máximos o médico célebre Jhon Harvey Kellogg, que dedicou a sua vida a encorajar a abstinência .Conta-se que Kellogg acreditaria que os alimentos mais apetitosos estimulavam a atividade sexual,por isso terá defendido uma dieta saudável.Crê-se que os cereais de pequeno almoço que criou, incluindo os cornflakes em 1894, teriam como objetivo impedir os jovens e masturbadores perturbados de cometer actos pecaminosos Para além da dieta,a masturbação era tratada,por infibulação, pela imobilização do “paciente”, por aparelhos elétricos que davam choque quando...

Em Defesa da Comida

Falar de comida é o móbil desta conversa que, queremos empática, e que tenha a leveza de uma sopa de legumes. E, é por não vermos muitas maneiras de atrairmos forasteiros ao nosso país de pedra, que nos apetece falar de culinária. Certamente que nos é fácil pensar que milhares de anos nos fizeram transitar de noções de fome para o de apetite; de alimentação para gastronomia, ou seja, passar do reino de fome para o de apetite para o de uma certa liberdade. É óbvio dizer-se que a cozinha é parte integrante da maneira de viver (cultura) de um povo e que o nascimento da culinária, isto é, a arte de transformar alimentos em delícias, representa mais um acto de transcendência humana (de imortalidade simbólica, talvez o grande móbil da vida?!). Terá certamente razão Bachelard ao dizer que “o homem não nasceu da fome, mas do apetite”, acrescentando nós, no apetite de partilhar, pois é difícil comer bem ao pé de pessoas e ambientes, de que não gostamos. Também não é novidade, que o apetite sem...

O Triângulo Mágico que veio do Novo Mundo

Das Américas , no séc XVI, chegaram múltiplas plantas, mas as que mais facilmente se difundiram na dieta europeia,foram o milho maíz (grosso),abóbora e o feijão ,trindade essa , a que se atribui a duplicação da população europeia em 50 anos , após os destroços pós a peste Negra (séc XIV). De facto, o cultivo desta tríade durante a Idade Média salvou os europeus de morrerem de fome. Eram tempos duros, para além das epidemias e das guerras, as pessoas adoeciam ou morriam em virtude de se alimentarem precariamente: a carne, a grande fonte de proteínas da época, era escassa, uma vez que a pecuária praticamente não existia e caçar era um privilégio dos nobres. Aliás ainda se discute, académicamente, se foi o milho( vários historiadores ) ou o feijão (Humberto Eco )o mais predominante, nesse milagre europeu. Conhecia-se da Civilização Maia(250 a 900 d.c),que plantando simultaneamente abóbora, milho e feijão porque estes se complementavam bem, o milho servia de talo para o feijão, o feij...