Castanheiro

De “castanea”, expressão latina, deriva castanheiro, também com a inevitável lenda. Casta Nea, nome da ninfa que, resistente à provocação sexual de Júpiter (pai dos Deuses romanos), foi suplicada e …transformada numa árvore – o castanheiro – e… todos os Outonos, Casta Nea chora lágrimas – castanhas – “fruto dos frutos”, fonte de vida, de resistência – sempre! >Árvore quase milenar, “(300 anos a crescer, 300 em seu ser, e outros 300 a morrer)”, foi e é granítica força simbólica, que emana da Terra e da evocação dos nossos antepassados, dos cultos do Sol, do Fogo, dos mortos, estes nas suas lágrimas outonais (castanhas). Têm estas, hoje, uma função quase etnográfica de alimentos rituais em festividades cíclicas (Dia de Finados, S. Martinho e, em algumas zonas do País, no Domingo de Ramos). "Árvore titânica, trava a erosão da terra da Beira, que resvala para o efémero e frágil calcário, ao qual, foi e é avessa – sempre! Árvore da segurança, “o ferro de Portugal”, árvore da sombra, no pino do Verão da vida, que bate o pé a ímpios fogos, “rei da vegetação lusitana”. Mas, através dos tempos inteiriça – sempre ! Nos soutos, a mancha cromática de múltiplos tintos outonais tende a desaparecer pois, paradoxalmente, “a tinta” é uma mancha epidémica que desertifica e alastra. Não se lhe pode valer com palavras! Desgraçadamente, só temos palavras para lhe dar (?). Contudo, sobrevive. O instinto de conservação maior que as raízes que o fixam, é o mesmo do beirão castiço que agarra as suas berças, no assumir da sua pobreza, mas nunca da miséria. Firmes, ambos, na combativa gestão do seu destino, e altivos …sempre! 1991 Publicado no Jornal Voz do Interior

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