Em Defesa da Comida
Falar de comida é o móbil desta conversa que, queremos empática, e que tenha a leveza de uma sopa de legumes. E, é por não vermos muitas maneiras de atrairmos forasteiros ao nosso país de pedra, que nos apetece falar de culinária. Certamente que nos é fácil pensar que milhares de anos nos fizeram transitar de noções de fome para o de apetite; de alimentação para gastronomia, ou seja, passar do reino de fome para o de apetite para o de uma certa liberdade. É óbvio dizer-se que a cozinha é parte integrante da maneira de viver (cultura) de um povo e que o nascimento da culinária, isto é, a arte de transformar alimentos em delícias, representa mais um acto de transcendência humana (de imortalidade simbólica, talvez o grande móbil da vida?!). Terá certamente razão Bachelard ao dizer que “o homem não nasceu da fome, mas do apetite”, acrescentando nós, no apetite de partilhar, pois é difícil comer bem ao pé de pessoas e ambientes, de que não gostamos. Também não é novidade, que o apetite sempre esteve ligado ao afecto. Aliás o desarranjo deste vem a cavalo (como ovo no bife) no excesso ou na míngua daquele. Talvez porque não consigamos esquecer o nosso, temporalmente distante, leite, com o Toddy de uma materna ternura. Também não é segredo que, entre nós portugueses, não há Alta - Cozinha (como acontece, por exemplo, em França e outros países) mas há uma respeitável Cozinha Regional (Tradicional), corolário do andarilhar de egrejos avós. É esta, que nos compete prezar, quer como clientes, quer como responsáveis de um restaurante, na função de cozinheiro de Domingo para a família e amigos. É comum pensar-se que a Culinária Tradicional Portuguesa tem necessariamente de revestir-se de características anti-dietéticas. Ora, isto pode não ser assim. Por isso também concordamos com os que dizem que há uma ética e uma estética na comida, aliás, como na vida. Pensamos que é nesta fusão ética/estética da comida que surge a Estrela Polar do redescobrimento da Cozinha Tradicional. Urge ter um saber que nos faça “pensar antes de cozinhar”.
É que..., entre nós, portugueses, diabetes, obesidade,colesterol,,hipertensão isto é “inflamação”,continuam e a subir em flecha - é este o pano do fundo.
No entanto, é gritante não saber, que há algo mais importante que a contagem das calorias e o peso da pessoa e a não querer saber, que o exagero de sal e açúcar e álcool são os nossos coveiros – mor, pois são inflamatórios .
Sejamos pois, consumidores mais exigentes:
Primeiramente não premiemos a comida "fast-food" e serenamente , retomemos a nossa visceral “slow-food” (afinal,aquela a quem devemos a nossa sobrevivência /vivência Mediterrânica). Perguntar- mos no restaurante, pelo prato tradicional da região e da casa.
Digamos que,bastou e basta de “bife à moda da casa”, de comida “industrial”, (quanto menos gosto tiver a comida, mais probabilidade terá de não ser rejeitado pelo cliente, sob o pretexto de ser muito isto e pouco aquilo).
É gritante nos dias de hoje, não seguir o slogan da Associação Portuguesa de Nutrição, em que apela, ao consumo de 1 porção/ dia de leguminosas, diga-se em abono da verdade, o que escasseia na restauração portuguesa.
Perguntar por onde anda ,a comida dos dias Magros (Advento e Quaresma ), as ervilhas ou favas com ovos escalfados , o grão de bico com bacalhau, o feijão frade com os bolos de bacalhau por onde andam as feijoadas à portuguesa ..hoje a feijoada foi subvertida, tornando-se um prato de carne com apontamentos de vegetais e depois ...”a feijoada engorda”! E por falar de carne ,evidências múltiplas, imploram-nos uma grande redução do seu consumo… é pena ,mas tem de ser!
Apesar dos esforços feitos perguntamo-nos,quem continuará a fazer uma arqueologia dos sabores e saberes,no seguimento de D..Zeferino,entre nós,( Viseu deve-lhe algo, um busto uma escultura…..) Quem salvará as relíquias do receituário tradicional, quando desaparecerem os seus últimos artesãos? Quem inovará .. e adaptará à vida de hoje, a Cozinha Tradicional da Beira
E, como nestas coisas funciona sempre o “Mel do riso, e o vinagre da Moral”, como apregoava o poeta árabe, permitam-nos mais esta: Abaixo o Pudim Flan !!! Viva o Arroz doce !!!
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