O Triângulo Mágico que veio do Novo Mundo
Das Américas , no séc XVI, chegaram múltiplas plantas, mas as que mais facilmente se difundiram na dieta europeia,foram o milho maíz (grosso),abóbora e o feijão ,trindade essa , a que se atribui a duplicação da população europeia em 50 anos , após os destroços pós a peste Negra (séc XIV). De facto, o cultivo desta tríade durante a Idade Média salvou os europeus de morrerem de fome. Eram tempos duros, para além das epidemias e das guerras, as pessoas adoeciam ou morriam em virtude de se alimentarem precariamente: a carne, a grande fonte de proteínas da época, era escassa, uma vez que a pecuária praticamente não existia e caçar era um privilégio dos nobres.
Aliás ainda se discute, académicamente, se foi o milho( vários historiadores ) ou o feijão (Humberto Eco )o mais predominante, nesse milagre europeu.
Conhecia-se da Civilização Maia(250 a 900 d.c),que plantando simultaneamente abóbora, milho e feijão porque estes se complementavam bem, o milho servia de talo para o feijão, o feijão produzia nitrogénio e a abóbora deixava a terra húmida (Albala, 2007).
As leguminosas são espécies fáceis de crescer e imperecíveis se forem armazenadas em condições adequadas, permitindo lutar contra a grande crise de fome. Esta unidade empiricamente perpetuou-se nos terrenos de regadio por essa Europa. Aliás há quem diga entre nós portugueses, que foi com esta riqueza alcançada que se implantou o Barroco em Portugal.
Esta tríade alimentar, segundo os saberes de hoje,trás consigo uma plétora de fitoqímicos. Nomeadamente o milho maíz “sustento de vida “ para os caribenhos foi base de civilizações prósperas. Era referenciado em rituais e cerimónias religiosas ,utilizado como alimento e medicamento, apesar de, ser pobre em proteínas , Os maias, aqueciam -no em água para se libertar a vit P ou vit B3, que evitava a pelagra , doença que nos tocou até metade do séc xx
A tonalidade amarelada da luteina e Zeaxantina (prevenção de patologia ocular) e a azulada das Anticioninas eu ac. Hidrobutirico (roxo) servem para a prevenção da Diabetes e Hipertensão.
A sua riqueza em fibra ( diminui o risco de neoplasias do cólon) e em sais minerais Magnésio Manganésio e Fósforo
Por sua vez a abóbora vem melhorar as sopas e acrescentar a sua riqueza de vit A e também reforçar os níveis de luteina e Zeaxantina e potenciar o ac fólico ( controle de Ta e Glicémia )
no entanto são hoje particularmente famosas, as pevides que antigamente entre nós acompanhavam a cerveja no Verão , por serem ricas em W3,Fe ,Zinco Magnésio e Fósforo
No respeitante ao feijão instalou-se rápidamente nas cozinhas europeias atendendo à sua delicada e cremosa textura, fazendo parte dos omnipresentes caldos, e sopas, até aí protagonizados pelas favas, lentilhas e grão de bico.. Rápidamente se teve a noção de que, se tratava de um superalimento. A quantidade enorme de vitaminas de Complexo B ,Ferro ,potássio e do seu alto teor de fibras e flúor fazem e fizeram dele um dos principais suportes de vida e de resiliência da humanidade. Embora o feijão tenha proteína incompleta, pois falta -lhe um aminoácido denominado de metionina vai formar proteína completa em associação com a metionina existente no arroz (trazido pelos árabes uns séculos antes). Tal facto fez com que a dupla arroz + feijão se tornasse paradigmática, principalmente, depois de ter sido largamente testada como comida de sobrevivência, entre os escravos nas Américas.
Aliás, as leguminosas são espécies fáceis de crescer e imperecíveis se forem armazenadas em condições adequadas, permitindo gerir a "economia da fome"
É caso para se dizer ,quando a título de escárnio e discriminatória se diz “ És arroz com feijão”,se estar a´fazer um elogio civilizacional, na arte de bem comer.
infopédia
Abobora
T
abobora
presente do indicativo do verbo aboborar expandir
ele, ela, você abobora
imperativo do verbo aboborar expandir
abobora tu
favoritosaboborara.bo.bo.rar separador fonéticaɐbubuˈrar
conjugação
verbo transitivo
1. amolecer
2. figurado amadurecer (ideia, plano)
verbo transitivo e intransitivo
1. cozinhar (alimento) de modo a que se embeba do caldo ou do molho
2. coloquial permanecer indolente, sem fazer nada
Milho
Por abeberarnome masculino
1. BOTÂNICA (Zea mays) planta herbácea de origem americana, da família das Gramíneas, pode atingir cerca de quatro metros de altura e apresenta colmo robusto e folhas onduladas que se usam para forragem, flores masculinas dispostas em panículas terminais e femininas em espigas axilares e cariopses de coloração esbranquiçada, amarela ou avermelhada [existem diversas variedades cultivadas em todo o mundo, sobretudo pelos seus grãos nutritivos, utilizados em culinária, na produção de farinha e de óleo alimentício, entre outros fins]
2. grão (cariopse) dessa planta, de formato arredondado e base em forma de cunha, que constitui a base alimentar em algumas culturas
3. popular dinheiro
4. CULINÁRIA plural cozinhado usado em Trás-os-Montes que, à semelhança do arroz, pode constituir prato ou simples acompanhamento e se prepara com milho pouco moído e toucinho ou chouriço de carne e legumes, tudo cortado em pedaços muito pequenos
adjetivo
diz-se da farinha feita de milho ou da palha de milho
coloquial boa/bom como o milho
fisicamente atraente
Brasil jocoso catar milho
datilografar ou digitar lentamente, tecla por tecla e geralmente com um só dedo de cada mão
coloquial dinheiro como milho
muito dinheiro
Do latim milĭu-, «milho»
milho
presente do indicativo do verbo milhar expandirO MILHO
cavaleiro
Há já alguns anos que aprendi com a Sra Maria, mulher que toda a vida trabalhou nos campos do Mondego, que “Janeiro mostra o tempo do ano inteiro”. Ainda esta semana, falávamos que “este ano vai ser de pouca chuva…”. A fazer fé nos dias luminosos de sol de Inverno que têm estado desde o ano novo, sabemos que os 12 meses se adivinham secos a dificultar os trabalhos para quem encontra na lavoura meio para a subsistência. A verdade é que as “arremedas” ainda ensinam alguma coisa a quem quer ver no tempo o tempo que o tempo traz.
Mas se o sol tem brilhado com aquela luz pálida a lembrar que o por-do-sol é o momento de regressar ao aconchego da lareira, as temperaturas dizem-nos que este é o tempo das comidas quentes e retemperadoras que preparam o corpo para o trabalho e para o frio.
Foto de Olga Cavaleiro
Ocorre-me falar de uma tradição que eu tanto aprecio, os Milhos de Trás-os-Montes ou os Carolos da Beira. Na verdade, estamos a falar da mesma matriz de receituário, apenas muda a designação. Com o milho partido grosseiramente, fazem-se umas papas que fazem lembrar um arroz malandrinho tão caraterístico no nosso Baixo Mondego.
Talvez tal seja uma reminiscência da utilização do milho miúdo ou painço (de grão mais pequeno) que se usava antes da entrada o milho grosso vindo do México no século XVI. A verdade é que, depois deste último se ter imposto na alimentação portuguesa, para além da farinha obtida com a moagem do grão e utilizada para as broas, pães de mistura e papas, as mós de granito eram ajustadas para partir o milho sem o reduzir em farinha permitindo, assim, fazer os milhos ou carolos. Fundamental mesmo antes de os cozinhar era assegurar que a lavagem era bem feita. Para isso, bastava passar por várias águas de forma a limpar os grãos partidos de toda a casca que os unia ao carolo. Depois era cozinhar usando toda a imaginação possível e os ingredientes que se tinham à mão.
“esgravatados”, “cornados” ou “esfuçados”
Herdeiros plenos desta tradição encontramos, ainda hoje, em Ribeira de Pena, Alto Trás-os-Montes, os milhos que podem ser “esgravatados”, “cornados” ou “esfuçados”. Designações tão ricas a indiciar qual carne que, dentro da panela, convive com os milhos, se galinha, vitela maronesa ou porco, respetivamente. Ainda por terras transmontanas encontramos os Milhos de Chaves onde, de forma semelhante, os ditos são cozidos na calda que resultou da cozedura da “peituga” (carne de porco), vitela e alguns enchidos.
Carolos com carne
Já na Beira, os carolos são feitos com carne de porco em vinha d’alhos e, no caso de Canas de Santa Maria, “abafadas” com morcela de sangue. Estes milhos e carolos, ao contrário das papas feitas com farinha de milho são requintadamente caldosas e, apesar de o milho ser naturalmente denso, apresentam-se leves. Por isso, há que estar atento às medidas da água pois os milhos ou carolos são gulosos de calda.
Carolos doces
Porque a imaginação humana é prodigiosa, termino com a versão doce, os carolos ou papas de carolo da Beira Serra e que traduzem um receituário que, na prática, parece o nosso arroz doce sendo que cada pequeno pedaço de milho partido coze lentamente numa água aromatizada pelo limão e no leite que o envolve de uma nata que nos faz sonhar… com carolos!
Já para o Sul temos o xerém, receita feita com farinha de milho grossa onde as carnes são substituídas pelos frutos do mar. Tema para outras conversas. Portugal à mesa no seu melhor!
Feijão
nome masculino
1. semente reniforme e comestível do feijoeiro (Phaseolus vulgaris), muito utilizada na alimentação
2. vagem comestível que contém essas sementes
3. CULINÁRIA prato preparado com essas sementes cozinhadas, misturadas ou não com carne, verduras, etc.
4. BOTÂNICA (Phaseolus vulgaris) planta herbácea anual ou trepadeira da família das Leguminosas, nativa do continente americano (há inúmeras variedades cultivadas em todo o mundo, sobretudo pelos seus frutos e sementes comestíveis, muito utilizadas na alimentação), tem folhas grandes, trifoliadas, flores geralmente brancas e vagens lineares ou recurvadas; feijoeiro
5. BOTÂNICA designação comum, extensiva às sementes comestíveis de diferentes plantas da família das Leguminosas, sobretudo do género Phaseolus
6. casta de videira de uva preta, também conhecida por feijoa
7. Brasil figurado o conjunto de alimentos necessários a cada dia; sustento
Brasil coloquial, figurado feijão com arroz
o que é comum, quotidiano, banal
jogar a feijões
jogar apenas por distração; não jogar a dinheiro
Do grego phaséolos, «feijão de vagem», pelo latim phaseŏlu-, «feijão»
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