Bacalhau(gadus morhua)

Bacalhau(gadus morhua) Através dos Vikings , sabia-se que este peixe podia conservar-se bem, depois da secagem. Seria obtido e comerciado na troca pelo sal e vinho por nós portugueses, que o salgávamos e e assim se aumentava a sua conservação.( há autores que atribuem os primórdios desse negócio aos bascos ,o que para nós é pacífico) . Na Idade Média, a hierarquia eclesiástica a partir do séc. X autorizou o consumo de peixe na época da Quaresma que alegoricamente foi representada por uma “ velha vestida com uma longa saia, da qual espreitam sete pés-um por cada semana , que durava o período da penitência -e que leva pendurado na mão um bacalhau seco. O peixe passa a ser a < carne da Quaresma>,No entanto, os peixes marinhos frescos que se vendiam tinham preços proibitivos e só podiam consumidos pelas classes mais prestigiadas, que vivessem próximo do mar., ou então os privilegiados que pudessem pagar a bula da “Santa Cruzada . (que foi somente abolida ,após a realização do Vaticano II, anos 60) Os desfavorecidos e do interior, tinham que se contentar com os peixes dos rios ou com conservas (salgados, fumados ou escabeche ) Assim a presença de bacalhau na mesa era sinal inequívoco de dia de Quaresma ou de abstinência em todo o Ocidente cristão. Posteriormente, o seu consumo manteve-se, graças à tradição e ao baixo preço na altura. Assim a culinária ibérica seguiu as estritas normas dietéticas eclesiásticas. e à falta de carne por (proibição) e de peixe fresco (por dificuldade em consegui-lo) os cozinheiros cristãos viram-se na necessidade de “ dar a volta “, com o que tinham á mão e preparar cozinhados variados com todas estas limitações. Em 1497 os portugueses conheceram o Labrador (Costa canadiana) fizeram a partir daí a pesca sistemática de bacalhau, que se incrementou durante o séc.XVI. Esta, viria a abrandar nos séculos seguintes, até a ser novamente incrementada nos finais século XIX. Posteriormente o sector sofreria uma melhor reestruturação, e iniciaram-se ciclos da faina da pesca, de 6 meses (Maio /Outubro ) na Terra Nova em pequenas frotas de Bacalhoeiros a partir dos portos de Lisboa/ Setúbal/Aveiro . aumentando o pescado durante o séc. XX .Depois da entrada na União Europeia(1986 )é importado da Noruega. Apesar de tudo, não deixa de ser estranho que num país como o nosso, em que a costa atlântica nos dá tanto e tão bom peixe, que tenhamos ficado subservientes a essa espécie designada gadus morhua vinda dos mares frios do Atlântico Norte. Vejamos, pois, o porquê! Reparemos no seu excelente perfil nutricional; é uma fonte de proteínas de elevada qualidade, de Ferro ,Zinco Selénio e Vit.sB6 e B12 Rico em triptofano (aminoácido essencial, precursor de serotonina) envolvido na melhoria de humor e da memória, para não falar de uma instituição quase secular, que é o óleo fígado de bacalhau, utilizado na correção de déficits de Vit. A e Vit. D e Ómega-3 Culinariamente são mil, as maneiras de o confecionar. Assim como são, os múltiplos aliados naturais, que lhe fazem escolta, o seu compadre, o azeite ,as hortaliças e as leguminosas (grão-de-bico… ) .Apenas um senão,- o preço- (que é salgadíssimo). Cuidado com o sal! No entanto,o” Bacalhau com Todos “ , ficou-nos na alma .Este bacalhau, cozido ,acompanhado com grelos, regado com o respetivo azeite, foi e é um prato central na ceia de Natal dos portugueses. A vulgarização desde consumo ,parece ter surgido após a II Guerra Mundial, após o seu abastecimento ter passado a ser regulamentado pelo Estado Novo. Assim, desta forma, o bacalhau chegou a todo o país. Também a televisão impulsionou a propaganda do regime, que refletia neste prato a humildade e simplicidade que deveria ser a mesma do povo português.(a boa consciência cristã, a funcionar.) E… assim, o fiel amigo permaneceu indelevelmente, tatuado, nos portugueses. Referências: Centro Interpretativo da História do Bacalhau Cavaleiro Olga À Mesa Diário das Beiras L. Jacinto García Comer como deus manda Pedro Carvalho 50 Superalimentos

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