Cavacórios e cavacas

As cavacas eo seu parente os cavacórios (de uma dimensão maior)genericamente são doces secos em formato de concha e de massa estaladiça e seca onde ao peso dos ovos corresponde o peso da farinha. E porque nascem num contexto de doce de romaria, compreende-se a sua textura mais rude, pois a necessidade de conservação ou aparecimento de bolores obrigava a que a massa fosse cozida até à desidratação. As cavacas eram a taça por onde os romeiros bebiam o vinho sendo, simultaneamente, acompanhamento perfeito pois, humidificada pelo líquido vínico, a massa da cavaca permitia uma harmonização bem doce e saborosa. Versátil, este doce revela o génio do ser humano que, na alimentação, nunca deixou de associar o gosto, a função e a forma. São múltiplas as versões das cavacas de romarias, que são integrados na doçaria regional popular Hoje o seu consumo continua associado às grandes festas e romarias que animam este país, e muitas delas de origem religiosa mas cada vez mais,como manifestações lúdico profanas. As regiões de maior número de diferentes cavacas parecem ser as Beiras. Mas são muitas as versões das cavacas de romarias. Galhofas do Marco de Canavezes Rosquilhos, similares às Cavacas, mas em formato de argola Cavacas de Pinhel onde as da Eufrasinha cavacas de Margaride Cavacas de Romaria em Viseu Cavacas da Zona do Alto,na Beira Alta, Cavacas da Guarda. Em Juncal do Campo, Castelo Branco as das Caldas da Rainha.(as cavacas mais famosas de Portugal) Cavacas de Avis,Alentejo, Cavacas Ilha de Santa Maria - Açores Não se esgotam aqui as cavacas que se fazem em todo o Portugal. Há notícia de variadíssimas cavacas. De Sabrosa, a Aveiro, a Sernancelhe, a Coimbra, de Santa Clara em Amarante, Há no entanto as Cavacas de Resende que, de cavacas, só têm o nome. Estas cavacas são um doce delicado e que já tratei em outra crónica, que eu incluo no grupo de pão-de-ló, Especule-se um pouco sobre a sua origem? Gustave Doré (1832-1883) sobre parábola de S. LázaroHá várias histórias que tentam associar este doce à história de S. Lázaro, Este S. Lázaro, o dos Cavacórios, é celebrado no Domingo que antecede o Domingo de Ramos, é uma festa móvel e representa uma parábola da Bíblia, simbolizando o S. Lázaro como protetor dos pobres que representa o bem em contraponto à ostentação, -figura(Gustave Doré (1832-1883 Ainda segundo a versão de Virgilio Nogueiro em relação aos Cavacórios de S. Lázaro. “Não há documentação sobre esta tradição para além de um interessante estudo publicado por Juvenal Cardápio. Muitas destas tradições chegam até nós por tradição oral, que, naturalmente, vai sendo alterada. Estes doces fazem parte do grupo de doçaria popular apesar de termos vários conventos que também as confecionavam. Mas parece que não terão nascido em ambiente conventual. A sua forma côncava parecer sugerir uma mão estendida à caridade, como o fez S. Lázaro, o da parábola “ Esta especialidade doceira também é corolário do policromatismo do país. Por que não, partir à descoberta destes doces, ou promoverem-se concursos gastronómicos cujo tema seja “ As nossas cavacas ?. Vão me perdoar o meu bairrismo , mas eu prefiro as de Freixinho (Sernancelhe ) e beber na sua concavidade um vinho Malhadinhas. Numa peregrinação à Lapa Cavacas de FreixinhoAs cavacas e o elixir da juventude As cavacas e o elixir da juventude Usa farinha fina de trigo tremês, muito azeite, ovos e açúcar fervido “até ganhar aquele ponto”. São cerca de duas horas a amassar e mais ou menos uma hora no forno. Apesar da forma característica — como uma casca arrancada a uma árvore —, estes doces não são enformados. “A massa faz a própria forma”, explica a pasteleira, com um forno de lenha à moda antiga instalado numa das divisões de sua casa. “O forno não deve estar nem muito bravo, nem muito frio”, prossegue. As cavacas e o elixir da juventude “Já sei a tabela.” A receita, garante, “tem ciência no amassar, no forno e no ponto do açúcar”. “Tem ciência em tudo. É um doce que tem muita ciência.” Na Páscoa, Alcina trabalha “noite e dia”. Chega a fazer mais de mil quilos de cavacas (um quilo são mais ou menos seis cavacas), que têm um mês de garantia. Já passou a receita, mas... “Já dei a receita, mas não dou as mãos.” graças à sensibilidade do executivo do Carregal, presidido por Vítor Rebelo, que os fálgaros ganharam lugar no roteiro da doçaria nacional e, agora, também a Rua Direita, dirigida por Paulo Neto, veio ver como se faz e quem faz este bolo conventual. Nesse mesmo dia 2 de novembro, os jornalistas da Fugas, revista do jornal Público, estavam também em Sernancelhe para conhecer os Fálgaros, as Cavacas de Freixinho e as Queijadas de Castanha. Aqui fica a reportagem da Rua Direita, condimentada com uma entrevista ao presidente da junta de freguesia de Carregal Vitor Rebelo. Link da reportagem da Rua Direita: http://www.ruadireita.pt/ultima-hora/autarcas-do-seculo-xxi-vitor-rebelo-e-a-junta-do A gastrónoma Cristina Castro, responsável pelo Projeto “No Ponto”, esteve em Sernancelhe, no dia 12 de abril, para colher imagens vídeo e entrevistas dos criadores dos doces concelhios de referência para incluir num roteiro nacional que dará origem a um livro sobre o tema. Os vídeos e as imagens serão disponibilizados no sítio da “No Ponto” (http://www.noponto.pt/), onde brevemente poderão ser apreciados os métodos de confeção dos Fálgaros da Tabosa do Carregal, as Cavacas de Freixinho e as Queijadas de Castanha, do Restaurante Flora, apadrinhadas pela Confraria da Castanha.

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