Final Cereja.

Final Cereja Havia sempre alguém que se atrevia a subir ao alto da árvore, Finalmente! Estávamos em tempos de cerejas,! de fantasias, brincos e brincadeiras. Os nossos olhos infantes sucumbiam perante a sua envolvente sensualidade, ainda antes de gozarmos a sensação da pele radiosa e macia do fruto, afinal ( um rubi gastronómico). Tempos mágicos . Chegaram-nos vestígios neolíticos do seu consumo, em pomares da Mesopotâmia. Segundo Plínio O Velho, terá sido o celebre general e gastrónomo Romano Luculo que no seu regresso da guerra na Ásia Menor, que trouxe uma cerejeira, já muito melhorada, para o Ocidente . Na região da Campânia e na Hispânia -(Lusitânia), viria a submeter-se a vários enxertos melhorando assim a sua qualidade. A célebre escola de Medicina de Salerno Séc. XI e XII viria a valorizá-la, nos seus Aforismos"" purifica os humores e faz correr sangue novo pelo corpo " (riqueza em potássio e valor diurético) diremos nós hoje ) No entanto, é unânime entre historiadores que a divulgação da cerejeira foi lenta ,tendo sido a Ordem de Cluny a grande divulgadora por toda a Europa, sendo o século XVIII o de maior expansão. A ratafia vermelha, bebida derivada da cereja, já tinha muita aceitação, entre os girondinos na Revolução Francesa Pela sua beleza ou pelo seu simbolismo artistas de todos os tempos, não perderam tempo, e com o seu talento, capturaram o esplendor das cerejas, imortalizaram à sua maneira a admiração . Em Portugal, mereceu os cuidados, dos Monges de Cister, (aparentados dos de Cluny) em climas temperados. A cerejeira adaptou-se globalmente bem, principalmente, a norte do rio Tejo, estes pomares de cerejeiras, situam-se essencialmente, em Alfândega da Fé, Resende, Penajoia, Cova da Beira e região de Portalegre (Serra de S. Mamede) realizando-se aqui, Festivais de Cereja (mês de junho), com crescente nomeada. Já, José Quitério, nos anos noventa, lamentava o esquecimento da introdução de cerejeiras japonesas(Sakura ), no nosso país. No país do sol nascente, elas são veneradas em vastas paisagens e jardins, protagonizando um dos espetáculos mais esplendorosos, tal o seu poder decorativo e ornamental . Outros a aproveitaram proporcionando esses panoramas na América do Norte e na Europa. As cerejas usuais geralmente são obtidas de cultivos de um número limitado de espécies, como a cerejeira-brava (Prunus avium) e a cereja-ácida (Prunus cerasus, ou Ginja). , Debrucemo-nos sobre o seu perfil nutricional: de realçar que cerca de 80% da porção de fruta ingerida é constituída por água, tendo um efeito diurético. Ao contrárida crença popular, é baixa em calorias -60 calorias para 100 g Rica em Vit C e Vit A compostos fenólicos (ácidos hidroxicinâmicos) e flavonoides (antocianinas e quercetina) agentes que parecem ter um efeito benéfico, na inflamação, quer na associada a doenças cardíacas e artrite, quer na associada ao declínio cognitivo. Rica em triptofano e melatonina, promove a regulação dos nossos círculos circadianos e melhoria na qualidade do sono. O sumo de cerejas ácidas(ginja) é utilizado usualmente como hipnótico em França. Hoje, a ginja está a ser empregue, para potenciar a recuperação entre treinos jogos provas em fases de com grande densidade competitiva e com animadores resultados .Nas, regularização do trânsito intestinal, na redução da absorção do colesterol e no controle glicémico. Podem ser consumidas prosaicamente como ingrediente de bolos, mousses e sorvetes, ou usadas poéticamente na decoração de sobremesas “a cereja em cima do bolo” Haverá fruto mais inspirador? D

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