“As guerras do Sal”

“As guerras do Sal” A procura instintiva de sal, por parte dos animais, aquando se domesticavam,foi a constatação, que levou os humanos, à descoberta da importância deste produto para a sobrevivência das espécies.É uma --necessidade química e orgânica diremos nós, hoje.Daì o seu significado biológico. Por outro lado, o sal tem também um significado simbólico-o da "salvação".Símbolo de fertilidade para uns,antídoto contra os maus espíritos para outros(..ainda hoje, há quem atire sal para trás das costas ,como forma de afastar o azar e o mau-olhado).Em sentido figurado, é relacionado, à inteligência,à vivacidade,(Jesus chamou os seus discípulos ”Sal da Terra”) O historiador Marc Blonch dizia que a civilização começou em regiões situadas próximas a desertos, em virtude, dos depósitos naturais de sal ali encontrados. Daí outro significado do sal,- o significado económico. Os gregos trocavam escravos por sal e vice-versa.Os romanos pagavam aos soldados em sal o “ salário”. Sal que depois trocariam por outros produtos.Foi moeda de troca, fez existir a Muralha da China ,a deslumbrante cidade de Veneza (importante cidade portuária durante a Idade Média). E isto porquê? O seu constante valor deveu-se, essencialmente, à sua versatilidade da utilização e aos múltiplos benefícios proporcionados: tanto era um produto fundamental como conservante dos fulcrais ingredientes proteicos,como um desinfetante e curativo para feridas; tanto se tratava de um importantíssimo tempero na alimentação, como imprescendivel no processo de mumificação. Somente se lhe conheciam benefícios. Ai de nós , se não conservasse ele, as proteínas(salgas de peixe e carne ) perecíveis nas salgadeiras!. Entre nós, os enchidos e os fumados(salpicões e salchichas). (A seca e a salga eram as únicas formas que na Idade Média, existiam para conservar alimentos), no entanto outros alimentos precisavam de sal e do seu poder conservante, os queijos, as manteigas, as natas, as azeitonas de mesa. Na Idade Média enormes caravanas atravessaram o deserto do Sara com a sua carga de sal. Os governos logo aprenderam a tirar proveito desse comércio, criando impostos sobre o sal. Na França, esse imposto, a gabelle, foi uma das causas desencadeantes da Revolução Francesa. Na Índia dominada pelos britânicos, Mahatma Gandhi, liderou um original movimento de protesto: uma enorme multidão foi até ao mar com a finalidade de trazer sal (não taxado). A importância do sal manteve-se inalterável, até começarem a surgir novas técnicas e/ou equipamentos de conservação como o vácuo, a pasteurização ou o frigorífico. Hoje, o problema não é a falta de sal, é a abundância. O sal ficou relativamente barato e é usado em excesso. E isso tem tido consequências graves para a saúde pública( hipertensão e risco de doença cardíaca e neoplasia do estômago) A revista Lancet (2019) dava uma estimativa de ingestão média diária de sal em adultos que se situava nos 14 g/dia. quase 3 vezes mais a ingestão recomendada de 5 gramas/dia pela Organização Mundial da Saúde (OMS)Em 2012 os portugueses, já estavam melhor, com a média 10,7g/dia, mais de duas vezes o valor recomendado.(Parabéns pois, á saúde pública portuguesa !) Mas, não esquecer que a dose superior a 5g/dia, predispõe a neoplasias gátricas. São contudo ancestrais,as campanhas(guerras) das lucrativas, e obscenas "indústrias alimentares" para contestar os efeitos prejudiciais do sal, tabaco, açúcar e do álcool.(que, não são, componentes naturais do organismo) na súde pública. que as progressivas evidências médicas pôem a descoberto. Sim, somos humanos e,“temperamos”-(o homem é o único animal que tempera a comida ) adicionamos sal aos alimentos,quando os cozinhamos, para potenciar o sabor. Contudo na realidade, o consumo regular de sal, inibe a deteção do sabor dos alimentos pelas papilas gustativas e, por isso, temos de adicionar sal, para que não fiquem insípidos e continuemos a senti-los saborosos e o consumo pode subir em escalada .Assim, por força do hábito,conseguimos contrariar a sabedoria do corpo e colocar a conta da nossa saúde “salgada .“

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