Uma cabra Sapadora ea chanfana

Uma chanfana -Sapadora Por não vermos muitas maneiras de atrairmos forasteiros ao nosso país de pedra (agora imolado pelo fogo, onde vemos o espeto da nossa esperança, em cada tronco carbonizado de pinheiro ou eucalipto), que nos lembramos de cabras sapadoras e a da sua Chanfana A cabra rebelde e gourmet, é,tradicionalmente associado a subsistência das regiões montanhosas e áridas, dai a fama “gado salvador dos pobres de todo mundo1”) tem ganho um novo protagonismo quer na prevenção dos incêndios florestais(sapador natural) quer como fonte de carne gourmet O seu sabor marcante e a textura firme são características que a diferenciam das outras carnes vermelhas e lhe garantem ascensão meteórica na Culinária da Alta Cozinha( sob forma, quer do cabrito assado, estufados com ervas aromáticas ou sobre a forma da “nossa” chanfana ), Como terá surgido a nossa chanfana ? Para nós basta-nos, uma singela história, que embora prosaica, nos faça entender a sua génese . Nas aldeias montanhosas vivia-se em condições muitas vezes adversas, marcadas por invernos rigorosos, isolamento geográfico e dependia-se fortemente dos recursos locais para sobreviver. O gado caprino era uma presença comum, sendo que as cabras eram essenciais para a subsistência das famílias. O leite esse, era utilizado para a produção de queijo e outros derivados.A economia da fome, obrigava à guarda os cabritos ,para vender, ou negociar pequenos favores,presenteando alguém importante da comunidade- enfim.... necessidades outras. Restava a carne, especialmente a das cabras mais velhas,( que já não produziam leite) e havia que aproveitá-la, embora fibrosa e dura, mas como? Em caçoilas de barro preto de Molelos era cozida lentamente em vinho tinto com bons taninos e ervas aromáticas,(alho, louro e pimenta ou alecrim ou tomilho ) .A carne assim adquiria um sabor único e uma textura macia. O uso de um bom vinho, não só ajudava a amaciar a carne, como também atuava como conservante natural, permitindo que o prato fosse preparado com antecedência e durasse vários dias e consumida nos longos meses de inverno -Eis pois, uma solução prática e inteligente, para driblar as dificuldades do dia a dia. De prato do desenrasca, passou a ser o lastro de festas religiosas, casamentos e celebrações. . A chanfana tornou-se num símbolo de resistência física sim,mas também, cultural e identitária, das povoações montanhosas da região Centro de Portugal. A despenalização de alguma comunidade científica dum consumo de carne preparada em marinadas com vinho ou com vinha d’alhos, advém de este método ser importante para reduzir a formação de aminas heterocíclicas(carcinogénicas) que se formam quando estamos a fritar e a grelhar. (as ciências da nutrição explicam cientificamente o que se fazia empiricamente) Deliciemo-nos pois, com este prato tradicional da culinária portuguesa Referências Conceição Calhau- “Deixemo-nos de tretas” Pag136

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