FINAL CANJA I
A canja “só a olha ;coberta do oiro líquido das enxúndias, fumega nos vapores tão aromáticos que, até Nosso Senhor Jesus Cristo da parede, pareciam acordar da morte>
Andam os faunos pelo Bosques
Diz-se, que a canja é de origem indiana e terá sido possivelmente transmitida após a publicação através dos Colóquios dos Simples de Garcia da Orta. Onde este expõe a receita “…o caldo de arroz, ou canje…” que aprendera com a sua cozinheira Antónia ,que lhe atribuía ancestrais poderes entre várias culturas O seu sucesso dever-se-á, naturalmente, à sua simplicidade.
Aliás ,há quem diga sua origem poderá encontrar-se numa sopa de arroz da Índia,< peze,> à qual se juntavam umas ervas. Desde tempos imemoriais que foi receita dos físicos de cada ‘época pois as diarreias de criança sempre foram omnipresentes Posteriormente juntou-se-lhe a galinha, receita que ainda hoje é vulgar em Goa permanece” ad tempore” .
No séc.XVI a influência italiana na corte de França através dos cozinheiros das rainhas Médicis, notou-se sobretudo no capítulo das sopas, devido à utilização de ervas aromáticas, secas e em pó, manjerona, orégão, tomilho salvia erva doce e outras que faziam as delicias do paladar da corte. Diz quem sabe , que devemos a Henrique IV de França ,rei famoso pelo cheiro a alho que exalava., a canja de galinha, com um pouco de carne porco fresco, cebola alho e salsa
Múltiplas são as canjas , mas fundamentalmente a canja é constituída por uma sopa rala de arroz, com temperos, e o seu elemento tradicional, que é a galinha, ainda hoje se mantém .. Os produtos, arroz primeiro, e galinha depois, acabam por cozer em simultâneo. Junta-se com frequência hortelã, para finalizar.
Na última metade do séc XX recordo; falar-se da dificuldade dos pós-partos contabilizando-as com o numero de galinhas mortas e as respetivas canjas Mas fundamentalmente canja de galinha das celebrações nos casamentos na Páscoa np natal e a grande a alegria quando na canja surgiam; os ovos em formação que praticamente só tinham a gema, em vários tamanhos que originavam disputas grande alegria que sentia o fígado e moela; o seu perfume enternecia;
Que outra imagem simbólica de família ,do que uma colher a uma concha de sopa de canja de galinha de uma terrina fumegante
Também se diz haver registos curiosos na cozinha régia de D Luís em teria que haver, sempre, canja fresca confecionada para a Rainha Dona Maria Pia, pois acreditava que a canja era fundamental para a manutenção da saúde e, portanto, a consumia diariamente. Hábito que se perpetuaria pelos Braganças… Obleahoma 8187 a1934)< é o tipo perfeito de sopa leve, higiénica,saborosa,perfumada e de digestibilidade perfeita, predispondo bem o estômago para outros alimentos…. deveria ser a sopa servida aos Deuses do Olimpo em dias de festa >A prática da confecção da canja vulgarizou-se, e transformou-se numa técnica básica de sopas leves. Aliás o seu sucesso dever-se-á, naturalmente, à sua simplicidade.
Em Portugal hoje, faz-se canja de peixes, de bacalhau, caça e outras carnes. Para além dos produtos já mencionados, a canja, é enriquecida com outros produtos vegetais e ervas aromáticas As sopas tradicionais de expressão regional adaptam-se e acompanham o ritmo de evolução do gosto das pessoas e a disponibilidade dos alimentos. O termo canja ,vulgarizou-se em gíria popular, como uma expressão de facilidade, que corresponde à execução culinária
Daí vir-me à memoria esta quadra batida,na claque de apoio das equipas do nosso liceu nos anos 60 /70 (afim de desencorajar as equipas adversárias)
É canja/É canja de galinha/ Para ganhar ao liceu /É preciso outra linha!
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