Pimento
Como as viagem das descobrimentos foram organizadas e financiadas para encontrar novas rotas para trazer do Oriente as especiarias tão desejadas na época, qualquer produto encontrado nas novas terras conquistadas, parecia ser uma transcrição daquelas já conhecidas, e assim foi, pretendia-se que o Capsicum anuum fosse irmão gémeo de Piper nigum,coisa desmentida pelos botânicos da época e assim o pimento americano,vermelho ou verde em nada lembrava as bolinhas picantes, que são a semente da planta oriental, tão utilizada para elevar o tom ou afugentar o mau cheiro das comidas medievais. Porém o pimento não era o filho da pimenta.
O pimento americano cuja origem remonta há cerca de 6000 anos ,chegou ,pela mão do Almirante Colombo em 1493, ao nosso Velho Mundo " toda a gente não come sem ela, porque acha muito saudável”, escreveu o marinheiro no seu diário. Mas foi? A ciência confirma que sim.
O cultivo deste vegetal espalhou-se rapidamente graças aos monges Jerônimos. Yuste (Extremadura), La Ñora (Murcia) e Santo Domingo (La Rioja) são os enclaves que o viram crescer pela primeira vez na Europa. Hoje,pode ser cultivado em qualquer meridiano e em qualquer paralelo.Hoje, em Portugal, o seu cultivo predomina na região do Ribatejo e Oeste, e onde haja vontade para tal.
O pimento é oco, tem forma e tamanho muito variáveis e é objeto de múltiplas utilizações culinárias. Consumido fresco ou cozinhado, pode assumir cor verde até ao estado mais maduro, passando progressivamente a vermelho até amarelo, as variedades multiplicaram-se por mil sabores do seus diversos exemplares fluem agora de forma subtil do puro picante a sublime bondade É um legume personalizado a sua intensidade sensorial suscita paixões e repulsas ,tal como nós, os pimentos ao longo da sua maturação vão ganhando umas propriedades e perdendo outras .Na passagem da fase verde da vida para todas as outras cores que podem assumir, os pimentos perdem alguma da sua explosividade com a diminuição do teor de -capsaícina, contrabalançado pelo aumento das suas defesas, devido à crescente quantidade de carotenos que adquirem.
O pimento é de facto um excelente regulador do trânsito intestinal: no entanto, pode causar algumas indisposições a pessoas menos tolerantes à sua vivacidade Se, do ponto de vista sensorial, o pimento nos vence ocasionalmente, nalgumas lutas e nos deixa fortemente ruborizados e a beber uns valentes copos de água, também na perspetiva metabólica nos põe a mexer ,a já referida capsaícina estimula a produção de hormonas como a adrenalina e desse modo aumenta o nosso metabolismo e por consequência, as calorias que gastamos. parece ainda, ter a capacidade de diminuir a nossa ingestão energética, de aumentar a oxigenação de gordura e de diminuir os níveis de colesterol e triglicerídeos.
Entre nós, quando o Verão se aproxima, os pimentos convivem paredes meias com a sardinha eo bacalhau assados em saladas e outras preparações por norma saudáveis que não menosprezam o seu tremendo potencial antioxidante, uma vez que os seus carotenos se junta a uma quantidade de vitamina C (só superada pela salsa,couve galega, couve-de-bruxelas)Tem cerca de 80,4 mg por 100 gramas, fornecendo uma quantidade muito superior à recomendada diariamente, contribuindo definitivamente para proteger o corpo das agressões diárias. Para além disso, contem bons níveis de vitamina B6, vitamina A e K e dois minerais: potássio e manganésio. Todos estes nutrientes fortalecem o sistema imunitário. Por outro lado, a concentração de carotenoides, flavonoides e ácidos fenólicos parece aumentar à medida que os pimentos vão amadurecendo. Estas substâncias são importantes inibidores da peroxidação lipídica, um dos mecanismos de defesa das células humanas contra o stress oxidativo e por consequência na prevenção das doenças degenerativas como o cancro, a diabetes e as doenças cardiovasculares.Diga-se que o pimento vermelho é uma versão mais madura do verde, e que tem o dobro de vitamina C e 11 vezes mais betacaroteno !A a espécie capsicum inclui as variedades dos pimentos doces (vermelho amarelo verde e roxo Um tipo de pimentão é o nosso colorau, doce ou picante, dependendo se os pimentões secos moídos - sempre vermelhos Este pimento nacional, cobriu de cor e sabor os enchidos mais raciais e os pratos mais conspícuos da nossas terras, desde os chouriços, que apareciam por todo o lado, depois das matanças dos porcos. Consumido fresco ou cozinhado, é nas saladas cruas de verão, que em geral tem maior primazia, sequenciado, com tomate, cebola,alho, e alface; regadas com sumo de limão ou azeite e vinagre. Entre nós ,ainda é vulgar vê-lo a acompanhar o prato de batata a murro com bacalhau ou sardinha assada, conjuntamente com ovo ,cebola e alho, benzidos por fio de azeite e claro… a ser escoltado por um vivaz, tinto.
O pimento é personalizado e personalizante … tem a capacidade de dar corpo e alma a pratos com pouca chama; (sem ser necessário recorrer às batotas do sal e da gordura).
O pimentão é uma boa fonte de fibra, tem propriedades antioxidantes e é muito rico em vitamina C. Um pimentão vermelho contém três vezes mais vitamina C que uma laranja! Dão cor e sabor a pratos com pouquíssimas calorias, têm baixo teor de gordura e contêm outras vitaminas e minerais muito importantes para o organismo, como a pró-vitamina A e o potássio. Mas para que mantenham essas propriedades (principalmente no que diz respeito às calorias), é preciso levar em consideração a forma como são cozidos: fritos absorvem muito óleo, como acontece com a berinjela
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