Nabo

Nabo I Os sábios não concordam sobre o local de origem dos primeiros nabos Alguns, situam a sua origem no Oriente, algures nas terras do Irão. Outros, devedores da lógica, preferem situá-los há milhares de anos na nossa Europa, onde séculos e séculos depois, continuou a aliviar as fomes que ocorriam de vez em quando, nas terras frias que hoje ocupam a Europa Oriental. Aqui, o hiperconsumo de vegetais crucíferos impunha-se ,era vital e imprescindível . Mas , a chegada da batata(séc.XVIII-XIX), constituiu um marco e uma celebração, quer pela novidade, quer pelas possibilidades culinárias que esta apresentava, além de constituir uma fonte de alimento de outro gabarito nomeadamente sob o ponto de vista energético. A substituição gradual do nabo pelas batatas americanas, foi-se espraiando. Na nossa terra, tal, somente ocorreria a partir da segunda metade século XIX, e lentamente. Assim o nabo deixaria de ser obsessivamente produzido , e em quantidade, pois os frutos trazidos do Novo Mundo ( feijão abóbora e milho), substituíam-no , sempre com vantagem,( mesmo que fosse pela relação intelectual que ligava o nabo “à fome e à Quaresma”). O seu espelho nas antigas artes (plásticas e literatura) não deixava transparecer que tivesse grande estatuto na gastronomia de então. Da grande família dos crucíferas (repolho, couves, brócolos, agrião, rabanete, rúcula). É constituído por uma raiz (tubérculo carnudos arredondados ou pontiagudos e de cor branca ou roxa ), folhas esverdeadas comestíveis.(nabiças ) e a flor(grelos de nabo) De fácil cultivo, para além de serem ideais para hortas domésticas; o policromatismo dos nabais floridos ,enxameados de abelhas que aterravam e descolavam era a natureza a funcionar e. A safra atinge o ponto de colheita em dois meses. Podem ser anuais ou bi- anuais. O nabo tem um teor energético muito baixo, o que faz jeito, a quem faz dieta . Contém uma boa fibra dietética para quem sofre de obstipação e pela ampla variedade de vitaminas entre( k, A, C,E, folatos e vitamina B6) e de minerais como (manganésio, cálcio cobre magnésio e potássio )7 que fornecem, contribuindo para uma ingestão adequada destes nutrientes essenciais . contudo o nabo e a nabiça apresentam uma pletora de polifenóis ( químicos vegetais anti oxidantes) de fazer inveja e para além do mais, concentrações elevadas de glucosinolatos precursores dos isotiocianatos (estrelas da companhia) O nabo e nabiça também facilitam o acesso a um conjunto de compostos biologicamente ativos, os nossos já conhecidos fitoquímicos. Os resultados de um estudo português revelaram a presença de 14 compostos fenólicos com uma forte componente antioxidante 65 Parafraseando Beliveau /2020 “Os vegetais crucíferos (repolho, brócolos, nabo, rabanete, rúcula) representam possivelmente um dos melhores exemplos do impacto desta complexidade vegetal no risco de câncer. Vários estudos epidemiológicos demonstraram que o consumo regular destes vegetais está associado à redução do risco de vários tipos de cancro, nomeadamente os do pulmão, bexiga, próstata e mama” contudo outros investigadores admitem que o nabo e a nabiça assim, que contêm mais substâncias anti cancerígenas do que os outros crucíferos. Como possibilidade culinária .a -raiz e a folha- podem ter destinos diferentes, quando se trata de os confecionar nas sopas e saladas (mistura com cenouras, a couve roxa ou beterraba ). No entanto o nabo tem glamour e está na Alta Cozinha, onde geralmente acompanha assados, em majestosos banquetes . Após o seu virtual desaparecimento, o nabo, renasceu das cinzas e iniciou um regresso no seu cultivo e utilização, quer pelos prazeres que despoleta quer pelo seu potencial nutricial. Chegou o tempo de dizer; vamos deixar de "ser nabos" e "tirar os nabos da púcara"

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