Maçã Final I
Fruto mítico por excelência , a maçã gozou e goza da máxima reputação como alimento e símbolo.
Dizem os sábios, que a macieira e a maçã(Malus sieversii) teriam tido a primeira infância numa região entre o Mar Cáspio e o Mar Negro ( da região que hoje é o Cazaquistão) Os por diversas zonas migratórios do Paleolítico difundiram-na por diversas zonas como a progressiva arqueologia nos indica . mas a perfeição deste fruto viria a ser atingida com a cultura greco-romana (uma vez que garantia a imortalidade )Os gregos associaram-na à deusa da fertilidade e do amor, Afrodite ,os romanos a Vénus , que, com o seu império espalharam-na até à Inglaterra, os nórdicos associaram-na à juventude eterna.
Durante a Idade Média, continuou a ser valorizada em várias culturas. Mas , à sua associação com o pecado original na tradição cristã, houve uma conotação ambígua em relação à maçã, pois era vista como um símbolo de tentação e desejo proibido. No entanto durante este período, em pomares por toda a Europa, foi cultivada tanto como alimento, como bebida, na produção de sidra, tão popular na época No entanto fruto da necessidade e do acaso, entre fomes e pestes, ninguém duvida, que a maçã foi pessoa de família, para qualquer “cristo de terra”, que a soube estudar e adaptar ao seu ecossistema
Já no século XIX, era célebre o ditado” uma maçã ao dia, deixa longe o doutor” Além do mais , a crença milenar que “a maçã é afrodisíaca “ permanece até hoje, e é visível no folclore ,literatura e práticas culturais ao longo dos séculos .(Registe-se que o potencial afrodisíaco da maçã não tem ainda ,uma base científica suficientemente sólida, para gerar consensos).
Hoje,globalmente, pode dizer-se ,que qualquer variedade de maçã possui uma combinação básica de nutrientes, que fornecem diversos efeitos protetores: vitamina C, ácido málico, fibras (como a pectina) e um conjunto de diferentes Polifenois-,Procianidinas- compostos fenólicos (ácido clorogénico e ursólico) e flavonoides- (quercetina,catequinas e epicatequina) e carotenoides (betacaroteno, o teor de fitoquímicos varia entre as diferentes espécies de maçãs.A pele da maçã tem um contributo muito significativo destes compostos (catequinas,procianidinas e ácido ursólico,) comparativamente com a sua polpa(quercetina e ácido clorogénico) Assim, a maçã, com esta panóplia de fitoquímicos e numa ótica nutricial, é um fruto” todo terreno “ com múltiplas potencialidades c conceituado, no respeitante à filosofia da promoção da saúde através da nutrição
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Quanto aos tipos de maçã, que apresentam mais polifenóis(anti-oxidantes) as mais cobiçáveis , isso depende da variedade da maçã, do ambiente e geografia do crescimento e do estágio de maturação. Geralmente, maçãs de casca vermelha ou roxa tendem a ter níveis mais elevados de polifenóis do que as variedades com casca verde ou amarela. Além disso, as maçãs orgânicas ou cultivadas de forma mais tradicional ,podem conter mais polifenóis do que aquelas produzidas em larga escala com o uso intensivo de pesticidas e fertilizantes., para além do facto, de se consumir uma maior variedade de maçãs,( cores e tipos diferentes), o que pode ajudar a maximizar a ingestão de polifenóis e outros nutrientes benéficos. Também é de acrescentar que , o tempo de armazenagem no frio, pode afetar a atividade biológica e reduzir os efeitos anticancerígenos dos fitoquímicos presentes.Por tudo isto, as maçãs de origem nacional ,têm vantagens sobre este aspecto, -estão perto do consumidor
Mas, diz quem sabe, e atua (1) que “estas espécies e tradições estão-se a perder, fruto da massificação do consumo que, está muito centrado nas variedades Golden, Gala, Starking, Granny-Smith, Reineta ou Fuji.,Os Planos de Fomento Frutícola do Estado Novo assumiram um papel fulcral na produção de novas variedades de maçãs e no abandono das macieiras regionais. Os agricultores foram orientados a investir no cultivo de espécies de maçãs mais procuradas pelos mercados externos, que aparentemente lhes traria mais riqueza e prosperidade” Isto surge Porquê ? Os evolutivos estudos bioquímicos que aqui e ali se efetuam ,levam-nos a concluir que são vários, os tipos de maçã regional, que têm um valor nutricial acrescentado.
.Lembremo-nos pois, por exemplo, das que já beneficiam de proteção de denominação de origem Bravo de Esmolfe (DOP) originária de Esmolfe -Penalva do Castelo e da Riscadinha de Palmela (DOP)Existem, no entanto, outras variedades de origem portuguesa que podem ser adquiridas sobretudo em mercados locais. a Pêro Pipo, Pardo Lindo e Camoesa Rosa sem se poder deixar de referir a minhota Porta da Loja.de maturação tardia e que aparece no mercado no início da Primavera, e (oferecida ao pároco na visita pascal.).Saliente-se também, que são quatro as variedades reconhecidas com Indicação Geográfica Protegida(IGP) nomeadamente Maçã de Alcobaça Maçã da Beira Alta , Maçã da Cova da Beira e Maçã de Portalegre:
Esbata a monotonia, prefira aos mercados regionais ,as feiras certificadas (controlados ) Imponha-se em “comer uma maçã /dia ) Preocupe-se em conhecer as variedades,(nas suas geografias) e estabelecer diferenças e escolher a seu gosto
Assim, ser-lhe-á possível comer uma maçã todos os dias, e passar da intenção. e diga-se, a maçã é ….. muito nossa!
A maçã no dia de Páscoa uma tradição com origem Celta.
A cultura minhota está toda ela recheada de tradições celtas nos vários domínios::
1. Na celebração do solestício de Verão na noite de S. João, com as pessoas a saltar por cima das fogueiras.
2. Na música tradicional, desde os ritmos aos instrumentos como a gaita de foles
3. Na gastronomia portuguesa, que inclui pratos como o cozido à portuguesa, feito com carne e legumes cozidos em caldo
4. Na arquitectura tradicional, através das casas de granito cobertas de colmo.
5. Nas tradições pascais, com a oferta de uma maçã ao Pároco aquando da passagem da cruz.
“Oferecer uma maçã ao Pároco da Freguesia aquando da visita da cruz”, uma tradição já desaparecida no concelho de Braga, mas que ainda persiste nalgumas localidades de Ponte de Lima.
Para os celtas, a macieira representa a Árvore do Outro Mundo e simboliza bem-aventurança, transcendência e conhecimento. Os seus frutos, eram símbolo da alta magia, da sabedoria e do “renascer a partir da morte”.
Celebrar a ressurreição de Cristo com um altar improvisado com uma toalha de linho, dois castiçais, um crucifixo e um prato de metal (nobre) contendo uma maçã encimada com uma moeda…..mais um testemunho das influências celtas, ainda bem patentes na cultura minhota
Antigamente, oferecia-se do melhor. A maçã Porta-da-Loja tinha a particularidade de se conservar de forma natural até à Páscoa. Era este fruto, muito usado na Páscoa para celebrar a ressurreição de Cristo.
Raul Rodrigues
Pelo Santiago, pinta o bago...mas também se colhem maçãs no Minho.
Moleirinha, Camoesa-Rosa, Bravo-do-Galinheiro e Três-ao-Prato
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