Quando o" doucement"rimava com beterraba

Quando o” doucement “rimava com beterraba ! (Beta vulgaris) planta herbácea, tem folhas inteiras, de coloração verde ou purpúrea e raiz tuberosa comestível, e cor vermelho-escura, usada na alimentação, e industrialmente na produção de açúcar. ( Dicionário Porto Editora na Infopédia). Apesar da fama de produto de frias terras continentais, parece, não haver dúvidas, de que a beterraba é nativa do Sul da Europa e do Norte da África . No entanto , teve sempre um estatuto pobre entre nós e como tal utilizada” rusticamente na vianda” da alimentação de animais “com sua licença, os porcos!” Mas, terá sido sempre assim ? E, nos tempos da denominada “economia da fome” que, diziam que era sempre negra? Talvez a beterraba vermelha fosse atrativa no combate á negritude . Em França a beterraba foi convertida em açúcar. Fez-se a partir de um estudo publicado no séc. XVIII do químico alemão Andreas Marggraf em que aponta ,a possibilidade da extração do açúcar, a partir desta planta. Porém, as suas ideias foram recolhidas e melhoradas por um químico francês, Benjamin Delessert, que começou a produzir açúcar de beterraba em Passy , o que contou com o apoio entusiasta de Napoleão, pois acabara de perder para Inglaterra o controle do comércio do açúcar da Índias Ocidentais (Antilhas ). Em 1812 o imperador ao visitar a fábrica de Delessert, tão impressionado ao ver as barras de açúcar fabricadas na própria França, ali mesmo, tirou a Cruz da Legião de Honra ,que ostentava no seu peito, e impulsivamente condecorou-o com ela de imediato. Ainda hoje os franceses tomam o seu café com os cubos de acúcar de beterraba. A tal, que foi epopeia para os emigrantes das Beiras e Trás-os-Montes que “a salto” queriam apagar a sua “ vil tristeza”, ao toque dos confortáveis “Allez! Allez”! “mais doucement” nas décadas de 60 /70 em França, na “beterraba,”- a do seu contentamento. Para além do açúcar, qual a sua real mais-valia à `luz dos conhecimentos de hoje” (apesar da religiosidade que possa existir neles) ? Os nutrientes parecem ser usuais para uma herbácea, sendo os principais o folato, o manganésio, potássio, e as fibras ….. mas, hoje realça-se a existência de um único grupo de pigmentos responsáveis pela sua cor vermelha intensa, nomeadamente as betalaínas, (compostos fitoquímicos que revelam uma potente atividade antioxidante,) o que permite classificar a beterraba, como um dos 10 vegetais, com maior poder de proteção contra os radicais livres e de combate ao stress oxidativo, mecanismo conhecido para promover a inflamação e a carcinogénese, segundo múltiplos estudos de investigação. Fala-se ainda, do seu sumo, na prevenção da hipertensão arterial. Então, por que não entra no nosso quotidiano?, Hà que experienciá-la nas nossas saladas de quatro a cinco elementos e não esquecer que, as saladas são feitas com a vermelha , crua se tivermos o cuidado de cortá-la finamente ou cozida, temperando a raiz com vinagre. E, já agora, aqui vai … uma entrada famosa, da gastronomia francesa- beterraba, cenoura, pepino e pimento. --- crus, ralados ou fatias muito finas e temperados com azeite, sumo de limão e Salsa picada Embora, na alta cozinha, seja mais utilizada no acompanhamento de carnes de caça, que delicia tanto com o seu sabor doce, é nas entradas –saladas- o seu lugar. Rústica!- .A Bem da Nação! Aqui, fica a lembrança deste vegetal, que parece carne (vermelha), afinal com a cor da energia e da combatividade, … a das betalaínas.

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