Um honesto copo de vinho !

"veio um cântaro de palhete, deste palhete das margens do Dão,que parece veludo no céu da boca e um homem sente fugir pela goela abaixo como um lagartixo para a sua lorga (M.110)in Malhadinhas Aquilino Ribeiro A cultura da uva e do vinho perde-se nas brumas do tempo. Parece haver algum consenso que em 6000 a.C. as uvas foram cultivadas pela primeira vez no Cáucaso, na região entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, perto do norte do Irão. O cultivo espalhou-se para a Ásia por volta dos 5000 a.C. e daí para o Egito e a Fenícia. Em todas as civilizações antigas (a civilização egípcia com Osíris, a grega com Dionísio e a romana com Baco) o vinho assumia um grande valor simbólico, levava aos deuses, nas cerimónias de sacrifício e de festividades. As uvas eram consumidas regularmente na Antiguidade (frescas ou secas), tanto na época clássica grega como na romana, e podemos ver isso em vários murais da época. Ainda nesta antiguidade clássica, o uso do vinho como medicamento era preconizado por Hipócrates, que recomendava o seu uso regular para manter a saúde e Galeno considerava o vinho tinto o melhor agente para desinfetar as feridas dos gladiadores romanos. Foi este Império Romano que espalhou o cultivo da vinha por toda a Europa, e há mais de dois milénios, desde a celebração da Última Ceia, o vinho é o símbolo de referência para os cristãos. A cultura do vinho, alastrou-se e continuou pela Idade Média e até ao séc. XVI, era conhecido pela eloquente e apelativa designação de” Aquae Vitae”e já agora, diga-se que, no séc. XVII, as uvas foram plantadas nos Estados Unidos, numa missão espanhola no Novo México (estava feita a globalização!). Desde a Renascença, até ao séc. XIX as uvas também foram muito utilizadas como decoração, assim como, comidas à refeição, o que nos leva a inferir o facto de elas virem a ser predominantemente representadas nas artes plásticas de então, em naturezas mortas. Todas as religiões se referem ao vinho com regras e simbolismo. No Norte do Mediterrâneo, a uva e o vinho fazem parte da trilogia da dieta mediterrânica, (pão, vinho e azeite), nas regiões do Sul do Mediterrâneo consomem-se uvas frescas e secas, mas o vinho é absolutamente proibido.Acrescente-se, que os preceitos maometanos não eram seguidos, no que se refere à pribição do beber, por uma grande parte dos muçulmanos penisulares são muitos os poemas árabes em que se louva o vinho andaluz.Ainda em nós, ecoa"pão com olhos,queijo sem olhos e vinho que salte aos olhos" ou "com pão e vinho já dá para o caminho" Hoje, o vinho representa (apenas) 8% do consumo mundial de álcool, muito atrás das espirituosas 50% e da cerveja 35%. O vinho, benéfico ou prejudicial à saúde, eis a velha questão? Mas antes de entrar na velha polémica, é necessário falar do denominado "paradoxo francês" Apesar da tradicional ingestão de queijos e de outros alimentos ricos em gorduras saturadas pelos franceses, a concomitante ingestão de vinho tinto era a responsável pela menor incidência de morte por doenças cardiovasculares do que noutras populações em estudo, o que tem dado muito que pensar. Abordando os danos à saúde, estes, estão relacionados ao teor alcoólico, que é um fator que favorece o aparecimento de cirrose, carcinomas, doenças cardiovasculares... Por outro lado, o consumo regular e moderado de vinho (um honesto, copo/dia no caso das mulheres; dois leais,copos/dia no caso de homens) é favorável para a redução da incidência de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, certos tipos de câncer, o aparecimento de cáries e ajuda a prevenir infeções bucais. Como? Através da ação dos superfenois do vinho tinto (procianidinas e resveratrol). Nomeadamente este último, muito estudado, tem chamado a atenção por seus benefícios à saúde [redução do risco de inflamação e coagulação], ajuda a prevenir danos aos vasos sanguíneos, diminuir o colesterol de lipoproteína de baixa densidade (colesterol ruim) e prevenir coágulos sanguíneos ajudando assim a proteger o revestimento dos vasos sanguíneos. Aliàs, estudos sobre o resveratrol e procianidinas, têm sido associados a uma indução da expressão de alguns genes ligados à longevidade, algo que há muito fazia parte da crença popular e agora ganha o epíteto de cientificamente comprovado. Falemos ainda da sua utilização culinária entre nós; quem não se lembra da alma que contém num arroz de vinha d’alhos, ou de uma chanfana ou simplesmente das esquecidas sopas de cavalo cansado? Enfim… hoje é sensato dizer-se que o vinho,com os seus benefícios sensoriais e nutricionais, não é para matar a sede, mas sim para realçar o sabor da comida. Mas, numca é demais relembrar "com a primeira taça o homem bebe vinho; com a segunda, vinho bebe vinho, e com a terceira, vinho bebe homem". (provérbio japonês). e depois,que não se diga que este vinho é um "des"almado!Mesmo o do Dão,o das margens desse claro rio que morre docemente no Mondego. . Referencias Vinho Tinto -50 Super Alimentos Portugueses pedro carvalho eVictor hugo teixeira -2012 pag 253 Alcool, vinho tinto e cancro- O método anti cancro Dr Richard Beliveau Pag 151 Vinho de Histórias e receitas do Mundo Velho - Francisco Máximo Pag 154 A Uva vindima e Vinho ---© Virgílio Nogueiro Gomes Uva - 101 alimentos que podem salvar a sua vida _David Grotto Pag 399 O vinho- em "O malhadinhas"-Sob o Signo da Terra e do Homem- António A. Fernandes pag 71 Vinho -Luis de Stau monteiro Gastrónomo- Ana Marques Pereira , Pag225 Uma longa história de sucesso:o vinho português História Global da Alimentação Portuguesa-Paulo Drumond Braga Pag 403 O poder dos Alimentos - João Rodrigues A cozinha cristã do Ocidente -Alvaro Cunqueiro 1993 Pag Infopédia Dicionário Porto Editora vinholocução vinhovi.nhoseparador fonéticaˈviɲu nome masculino 1. bebida alcoólica proveniente do sumo das uvas fermentado 2. qualquer líquido alcoólico obtido por fermentação 3. figurado embriaguez; bebedeira vinho abafado vinho cuja fermentação natural foi interrompida pelo acréscimo de aguardente ou álcool vínico vinho aberto vinho com pouca intensidade de cor vinho adamado vinho com baixa graduação alcoólica e sabor adocicado vinho a martelo vinho falsificado ou de fraca qualidade vinho branco vinho produzido com uvas claras ou, mais raramente, com uvas tintas a que se retiraram as cascas antes da fermentação vinho carrascão vinho de baixa qualidade, de cor carregada e taninoso vinho clarete vinho tinto de cor pouco carregada; vinho palhete vinho da casa vinho de mesa produzido ou selecionado por restaurante, geralmente de preço módico, para servir quando o cliente não requisita um vinho específico vinho da Madeira vinho generoso produzido nas ilhas da Madeira e do Porto Santo vinho de enforcado vinho verde feito a partir de uvas de vide de enforcado vinho de gota vinho elaborado com o primeiro mosto que flui de uma pressão ligeira, antes da verdadeira prensagem vinho de lote vinho produzido a partir de diferentes castas vinho de mesa vinho comum, que geralmente se bebe à refeição, com graduação alcoólica variável entre os 11° e os 14° vinho de missa vinho destinado à celebração da Eucaristia; vinho litúrgico vinho de talha vinho que é produzido e conservado em talha, geralmente de barro vinho doce vinho com alto teor sacarino, geralmente produzido a partir de uvas muito maduras vinho do Porto vinho generoso produzido na região do Douro vinho dos mortos vinho produzido na região de Boticas que, uma vez engarrafado, é enterrado durante alguns meses para apurar a sua qualidade vinho encorpado vinho tinto com cor intensa e consistência espessa vinho espumante vinho naturalmente gasoso; espumante vinho fino vinho generoso de longa formação e duração que, com o tempo, vai apurando algumas das suas qualidades vinho fortificado vinho cujo teor alcoólico foi aumentado pela adição de aguardente vínica ou outra bebida destilada vinho frisante vinho jovem que, apesar de naturalmente gasoso, apresenta menor pressão do que a de um espumante vinho gaseificado vinho a que foi acrescentado gás carbónico por processo artificial vinho generoso vinho licoroso de qualidade superior, próprio para se beber à sobremesa ou fora das refeições vinho laranja vinho produzido com uvas brancas, com maceração pelicular prolongada, que lhe confere uma cor carregada de tonalidade alaranjada vinho leve vinho com pouco corpo e baixo teor alcoólico vinho licoroso vinho a que foi adicionada aguardente durante a fermentação, tendo por isso um sabor doce vinho litúrgico vinho destinado à celebração da Eucaristia; vinho de missa vinho moscatel vinho generoso produzido a partir de uvas moscatéis vinho palhete vinho tinto de cor pouco carregada; vinho clarete vinho rosado vinho obtido por fermentação do mosto de uvas tintas, macerando as películas durante um período mais curto do que o usado para o vinho tinto vinho tinto vinho de cor vermelha, produzido a partir de uvas tintas vinho tranquilo vinho que não contém gás vinho varietal vinho produzido a partir de uma única casta ou com alto predomínio de uma casta vinho verde 1. vinho branco ou tinto, de sabor levemente ácido e por vezes gasoso, produzido no Noroeste de Portugal 2. vinho produzido a partir de uvas colhidas antes da maturação ter mau vinho popular tornar-se violento ou quezilento quando ébrio Os vinhos tintos produzidos na Beira Interior são um excelente produto para a prevenção de doenças como o cancro do estômago. Uma investigação desenvolvida pela doutoranda Luísa Paulo, na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, revelou que os néctares da região possuem maiores concentrações de resveratrol. Uma substância anti-oxidante associada à prevenção de doenças cardiovasculares e diabetes, e que este estudo veio demonstrar ser inibidora da multiplicação da bactéria responsável pelo aparecimento de tumores no estômago.
Luísa Paulo, técnica superior do Centro de Apoio à Transferência Tecnológica Agro-Industrial, em Castelo Branco, desenvolveu a investigação no âmbito do seu doutoramento em biomedicina.
No total foram analisadas 186 amostras de vinhos de todo o país. "Os que apresentaram maiores teores de resveratrol foram os da nossa região, sobretudo os produzidos com a casta touriga nacional", explica Luísa Paulo
A investigadora, que já viu parte dos resultados publicados em três revistas científicas internacionais, considera que "a nossa região possui bons vinhos". Os teores de resveratrol no vinho são justificados pelas amplitudes térmicas a que as videiras estão sujeitas. "A produção dessa substância é uma forma de defesa que as plantas possuem", explica.
O resveratrol já foi alvo de estudos internacionais, sobretudo nos Estados Unidos, e há até quem lhe chame a pílula da juventude, correndo rumores que a jovialidade de Angelina Jolie estaria associada a essa substância. No mercado há mesmo quem comercialize produtos medicinais com elevados teores dessa substância. Uma busca rápida na internet permite-nos verificar isso mesmo.
Na sua investigação Luísa Paulo teve uma equipa de orientadores de topo, constituída pelo próprio reitor da Universidade, João Queiroz, por Eugénia Gallardo e Fernanda Domingues. "Os resultados deste estudo são muito importantes, até porque foi o maior que alguma vez se realizou em Portugal e um dos que envolveu mais amostras em termos internacionais, num total de 200 vinhos", explica Eugénia Gallardo.
No processo da recolha das amostras, os investigadores contaram com o apoio das Comissões Vitivinícolas. "A beira interior não é uma região muito conhecida pelos vinhos, pelo que um dos objectivos deste estudo também passou por potenciar o que aqui se produz", revela Eugénia Gallardo.
O docente da Faculdade de Ciências da Saúde adianta que "no futuro o objectivo será dar apoio aos próprios produtores, sobretudo no processo produtivo, desde a vindima até à produção do vinho, de forma a que se possam ainda melhorar os níveis de resveratrol". Por isso, Eugénia Gallardo convida os produtores a contactar a faculdade.
Com a tese de doutoramento entregue, Luísa Paulo aguarda agora pela defesa pública da sua investigação. Enquanto isso não sucede, fica a certeza que os consumidores "de vinho da região saem beneficiados", justifica Eugénia Gallardo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O pastel de feijão – coisa de memória e de gula.

Cavacórios e cavacas

Final agrião