a energia verde das ervilhas
"As ervilhas de quebrar, de que eu muito gosto do sabor, a que associo o amarfanhar das sedas que é a sua trituração na boca regalada"
“Aquilino Ribeiro( Estrada de Santiago)
Há referências muito antigas sobre a existência da ervilha parece que podemos remontar a 7000 ou 6000 anos a.C para considerar que esta leguminosa é um dos produtos cultivados, mais antigos da história da humanidade. A par das lentilhas, grão-de-bico, trigo e cevada, parece ter a sua origem no Médio Oriente. Muito citadas no Egito, poderão ter sido trazidas pelos romanos para a Europa. Autores clássicos gregos e latinos como Teofrasto, Plínio, o velho e Columela fazem-nos referência nas suas obras (371 - 286 AC )
As legiões romanas quando acampavam durante algum tempo, semeavam-nas, fazendo a mesma coisa com as urtigas muito apreciadas em sopa. O mesmo se passava na Ur, onde as mais apreciadas eram as do mar. Na Catalunha obtiveram-se quantidades e qualidades muito elevadas de ervilha de quebrar. Do latim ervilĭa, «pequena lentilha» A tradição agrícola romana exprimiu se sem vergonha nos nomes das mais antigas e ilustres famílias de patrícios da urbe. Os Fábios eram cultivadores de favas.Os Lêntulo de lentilhas ,Cícero de grão de bico Piso Elatius de ervilhas (Plínio diz que suporta mal o frio). Na Idade Média os pratos de ervilhas serviram de socorro nos denominados Dias Magros da Quaresma e Advento na Europa cristã: Com ou sem vagem,as ervilhas comem-se verdes sós ou associadas a diversos legumes e carnes. As Ervilhas secas são consideradas por alguns, preferidas aos feijões, de mais fácil digestão e menos flatulentos, mas é preciso desembaraçá-las das"películas".Solicitam-se e dão -se alvíssaras para novas receitas específicas para estas leguminosas que se quadunem com os tempos mais sedentários do nosso quotidiano
Perfil nutricional dar 80gramas de ervilhas serão 100 ervilhas que cabem em 2 mãos- 67 calorias- de portanto baixo índice glicémico e como uma boa leguminosa apresenta uma pletora atributos nos quais são de destaque as vitaminas C, B1, folatos (B9)minerais ;magnésio,potássio,fosforo,cobre,manganésio,zinco,cálcio e ferro.Dois carotenoides (luteína e zeaxantina ) Um flavonoide -o kaempferol- que faz diminuir o< risco de cancer do ovário,da próstata,colon,renal e de cdv
A recomendação dada pela Roda dos alimentos e que cada pessoa deve consumir todos os dias uma a duas doses de leguminosas ou seja ervilhas,feijão,grao de bico, lentilhas e ir variando,o mais possível entre estes .
Congelada, cozida, fresca ,seca,ou verde,ela vai muito bem em receitas variadas, como cremes,omeletes,molhos,pastas, purés, saladas, sopas entre outras.
Também em Portugal as ervilhas surgem guisadas com carnes e enchidos.No entanto,o prato de ervilhas com ovo escalfado é provavelmente a forma mais comum e saudável que se quaduna melhor com o sedentário trabalho dos nossos dias.
a bebida de ervilha surgiu assim,como mais uma alternativa vegetal ao leite de vaca, apar das bebidas de amêndoa, de avelã, de arroz, de aveia, de coco, de soja
Afinal de contas, é bom ir á ervilha!
Infomédia Dicionário Porto Editora
nome feminino
1. semente globosa da ervilheira, consumida na alimentação
2. BOTÂNICA (Pisum sativum) planta trepadeira, anual, da família das Leguminosas, tem folhas pecioladas, flores brancas, azuis ou rosadas e vagens oblongas com sementes globosas comestíveis, existindo diversas subespécies subespontâneas e cultivadas; ervilheira
3. vagem dessa planta
4. CULINÁRIA doce feito com grão-de-bico e que tem a forma da vagem da ervilheira
Do latim ervilĭa, «pequena lentilha»
ERVILHAS
Entre apreciação e desdém
ALFREDO ARGILÉS 08/04/2010
Dizem que tem 10.000 anos e que na sua primeira infância conviveu com os cereais mais rudes e poderosos da Índia, onde nasceu e se desenvolveu, e de onde se expandiu para o leste e para o oeste, chegando ao seu viagem ao nosso hemisfério às portas do Egito, civilização que cativou desde o advento do Novo Império, aquele que vai de Ahmosis I a Ramsés. A inundação do Nilo originou pomares e, consequentemente, o grande desenvolvimento dos vegetais, que foram transferidos para as nossas províncias a partir dos seus locais de origem - em grande parte foram gerados nos territórios que seriam hoje o Irão e o Iraque, a Pérsia e a Mesopotâmia, o Eufrates e o Tigre, berço das civilizações - seguindo a rota do sul, em vez de, como pareceria natural, passar pela Turquia até às outras terras conhecidas.
Desde que se instalaram na nossa cultura, as ervilhas sofreram vários preços no mercado da ambrósia, passando de alimento dos ricos a alimento das camadas mais desfavorecidas da população - o que seria um eufemismo - e até forragem para animais.
Na Idade Média, alguns cereais foram substituídos por leguminosas e vegetais, mais ao alcance do cidadão comum, que os apreciava à vontade, tendo em conta que a sua alimentação mais comum, segundo os tratados que tratam da época, consistia quase exclusivamente de pão e vinho, e algumas sobras de carne, além das inevitáveis ervilhas. Assim, o médico de Francisco I de França, Bruyerin Champier, no seu De re cibaria despreza-os especialmente, juntamente com as favas, considerando ambos os produtos indignos do seu senhor. Dois séculos mais tarde, Rétif de La Bretonne continuou a confirmar que os camponeses menos abastados baseavam o seu sustento numa "sopa com ensopado de porco salgado, cozido com couves ou ervilhas".
Os vegetais eram desprezados nos seus ágapes pelas classes dominantes, que eram cegadas pelas carnes - caçadas ou domésticas - e pelas frutas fritas, cheias de farinha e gorduras.
Mas chega a burguesia e tudo muda, os paladares são apurados e o valor dos sabores e aromas subtis do verde é finalmente reconhecido. Assim, o próprio Alexandre Dumas diz da ervilha: “A ervilha é, sem dúvida, uma das nossas melhores leguminosas. Quando muito fresca, muito tenra e cozida com casca, forma um aperitivo sempre bem recebido”.
Embora o apreciemos, não foi necessário que o romancista nos convencesse com a sua autoridade: quem experimentou ervilhas, como as de Llavaneras, apenas cozidas e temperadas, ou salteadas com presunto, deveria examinar a sua consciência e concluir que a ervilha a semente transborda de suavidade. E o sortudo que conseguiu sucumbir a um tofée de ervilha com cracas, como o preparado por Martín Berasategui, concordará que nenhum companheiro pode ignorar a primazia que o irmão mais novo dos jardins detém entre o seu povo.
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