Da tomatada a "la tomatina "
Os espanhóis entraram em contato com o tomate nas Américas, produzindo grande quantidade no México no Peru e no Chile. A partir do seu conhecimento empírico, aprenderam a cozinhar com tomate, mas… tal como a batata,ele, pertencia (e) à malfadada família da Solanáceas, que na época era temida e… indesejada pela fama que ganhara de ter espécies alucinogénias e venenosas(encontram-se incluidas neste vasto grupo a Beladona, a Mandrágora). E como sempre " a angústia é a mãe do mito" no dizer do Prof Miller Guerra. Apesar da” economia da fome “ o percurso do tomate entre os europeus, compreende-se hoje, teria de ser inexoravelmente estranho e sinuoso.
Uma das primeiras referências escritas sobre o tomate documentada, foi graças à pena do sacerdote Gregório de Los Rios, que estava encarregue de tratar o Jardim Botânico de Aranjuez, patrocinado pelo Rei Filipe II de Espanha (sécXVI).Teriam sido outros religiosos os pioneiros em introduzir o tomate nas suas refeições, pelo menos um século antes da sua maior popularização.
Existem também registos num livro de cozinha, Receituário usado pelos monges cozinheiros da ordem dos Capuchinhos na província de Andaluzia, uma das cópias manuscritas, data de 1740 e que se encontra na biblioteca da Faculdade de Medicina de Cádis
Compreende-se que tenha começado por ter um uso histórico, apenas na vertente ornamental, o que constituiu como uma grande perda, principalmente em tempos de grande escassez alimentar. A partir do seu experienciar ,espanhois foram lentamente aprendendo a cozinhar com o tomate, e este tornou-se um produto fundamental nas suas cozinhas regionais
A soberania histórica de Espanha a Nápoles durante anos fez chegar cedo o tomate à Península Itálica. Também aqui o tomate começou por ser fruto de jardim. Mas os transalpinos, percebendo desde logo, que se tratava de algo muito especial, perderam o medo, e… com força, agarraram e aconchegaram a confeção deste fruto, batizando-o de "pomi d´oro", (maçã dourada) e daí proviria o nome atual "pomodoro". Convém lembrar que, o primeiro tomate seria amarelo e, por isso também seria conhecido como” maçã dourada” no entanto, transformações genéticas, a terra e o clima transformaram-no, em vermelho permanente e passou a ser- “maçã do amor”, pergunta-se, antes ou depois da Sofia Loren?Tal o sucesso intra muros, que com a unificação da Itália, este transformou-se, também, num produto identidatário daquele país
A propósito de tomate -Itália e turismo, depois de, deixar de cheirar a pólvora, em Espanha, e a fim de o glorificar, em 1944, depois da Guerra (In)Civil, foi iniciada uma peculiar festa “La Tomatina”, na cidade de Buñol, Valencia, em honra de S. Firmino; festa de arremesso do tomate entre os participantes, com um galopante e global sucesso turístico, aponto de se tornar um grande evento turístico, será caso para se perguntar, o deixar de "cheirar a polvora" seria o leikmotiv para esta festa da abundância ?
Em Portugal, após as suas legítimas zangas com a vizinhança, diga-se, mas depois, por modorrice e comodismo, continuou-se a pedir à Sra. do Almurtão para virar costas a Castela, o tomate somente aparece em receituário culinário no século XIX, entre nós, não se sabe como era nas zonas raianas, ainda hoje.
No século XX, passou a ser um produto quase indispensável nas nossas cozinhas, a tal ponto, que surgiu naturalmente o ditado popular “em época de tomate não há más cozinheiras”
. E nós, hoje, damos-lhe um tratamento de excelência que vai desde saladas, sopas quentes ou frias, ao peixe, a carne, no molho de tomate usado na pizza, nas massas, no molho de vinagrete. E no moderno ketchup…e
sem esquecer os nossos arrozes de tomate, que tal como os de espigos” vão bem” com quase tudo!
Passemos pois, ao que nos diz o nutricionismo de hoje, sobre este fruto, os holofotes continuam virados para a estrela cintilante da companhia é o seu rico teor em licopeno, o carotenoide responsável pela cor vermelha do tomate, que, segundo vários estudos, apresenta uma atividade anti cancerígena significativa.-no que diz respeito ao cancro da próstata, reduz o risco do seu desenvolvimento 188 mas há indícios de caracter científico sobre o papel do licopeno na redução de cancro digestivo 189 de e do cancro do pâncreas 190 Acrescente-se que com a adição de azeite há um aumento da absorção quer deste carotenoide quer do poder antioxidante destes dois alimentos. Só falta acrescentar os orégãos e o queijo para constituir o meio-campo “atacante” da mundialmente conhecida equipa” Pisa Napolitana “O tomate é igualmente riquíssimo em vitaminas, A, C e E.
À medida que o perfil nutricional do tomate é estudado, aumentam as evidências das suas vantagens na prevenção e redução do risco de cancro e doenças cardíacas e mais constituintes são encontrados, sobretudo na polpa; outros fitoquímicos, como a naringenina. uma flavonona;.a apigenina e luteolina duas flavonas Kaempferol,Mircitina e Quercetina - Flavonoides
Mudando de assunto , e cá para nós, dizem “os entendidos” que é de excelência o nosso doce de tomate ou tomate em compota; e …..não é que têm razão. ?!
nome masculino
1. BOTÂNICA fruto (baga) do tomateiro, de cor avermelhada, com superfície lisa e brilhante, usado especialmente em culinária
2. (planta) tomateiro
3. calão plural testículos
coloquial cara/nariz de tomate
cara ou nariz rubicundo
calão, figurado ter tomates
ter coragem ou ousadia
Do nauatle tómatl, «idem», pelo castelhano tomate, «idem»
TOMATE
Aquele que era 'poma d'amore'
ALFREDO ARGILÉS 21/08/2010
O botânico italiano Pietro Mittioli batizou o tomate de maçã dourada - pommodoro - pelo seu aspecto brilhante e pela qualidade de uma fruta e não de um produto da horta, título com que a leguminosa nativa de terras americanas foi recebida na Europa.
Equador, Chile ou Peru parecem ser as nações onde o tomate surgiu como que do nada, as sementes que o criaram foram largadas em solo fértil por alguns pássaros, que de terras distantes foram para lá descansar, segundo a opinião de estudiosos. O tomate que assim surgiu, selvagem e sem graça, era pequeno e nada doce, dourado e ácido.
Instalado no México, foi cultivado, e agora gordo e rosado, trazido para Espanha pelos anfitriões que acompanhavam Hernán Cortés, que ao regressar a Sevilha o espalharam pelo resto da Europa, onde despertou curiosidade e se tornou mais um elemento decorativo do que um elemento culinário durante os primeiros anos de sua estadia, atribuindo-lhe virtudes de todos os tipos, inclusive afrodisíacas. O holandês Dodoens mudou de nome por esse suposto motivo, permanecendo em poma d'amore até ser comido e confirmada a sua inestimável qualidade erógena.
Dessa frustração, o nome que nunca perdeu para os conquistadores voltou a ser o seu, e que coincidiu com aquele que os falantes do Nahualt o designaram e que não era outro senão tomatl, que significava fruta inchada.
Frei Bernardino de Sahagún, franciscano que viveu naquele mundo, registra em suas obras que os povos indígenas comiam tomates de diversas maneiras, e eles eram um acompanhamento comum de pimentas - isto é, pimentões - de todas as cores, formando ensopados. aquele peixe guarnecido, branco e castanho, camarão e até bledas, sendo sem dúvida antecedentes directos da receita espanhola que os salteia - bledas - com tomate e um pouco de alho, e depois os come sozinhos ou embrulhados com uma massa, o que dará origem ao pastiset que é conhecido em nossas cidades.
O desenfreado desenvolvimento das culturas, fruto de um imenso consumo, deu origem a uma enorme variedade de variedades - tudo é variedade - entre as quais se destacam as que produzem tomates grandes, vermelhos e amarelos, e os pequenos cereja, e os em forma de pêra - agora insuportavelmente insosso - e criado nas encostas vulcânicas do Vesúvio para criar o sugo com o qual os italianos misturam massas; e nas praias arenosas de Saler e Perelló, para que possamos espalhá-las com azeite e um pouco de sal e compor um prato inesquecível na sua simplicidade e sabor doce.
Esta salada primitiva pode ser complexa até a saciedade, misturando-a crua com peixe salgado, peixe em conserva ou outros vegetais; recheá-los com atum e maionese, ou com uma deliciosa salada, ou torná-los parte indispensável do refrescante gaspacho. E se quisermos guisados, nada melhor do que colocá-los um pouco no forno para assá-los à provençal; ou faça um ninho para eles depositarem os ovos com os quais cozinharão juntos
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