No tempo em que os tremoços eram " frescos "
É interessante descobrir que o tremoço, foi outrora, um alimento indispensável nas mesas mais abastadas e que simbolizava o dinheiro, nas antigas comédias romanas. Diz-se em Portugal que o tremoço é o «marisco dos pobres». Em certas zonas do centro do País, era costume ,noivos, nas proclamas dos casamentos, oferecer aos amigos vinho e tremoços. Tal como o grão, o feijão, a ervilha ou a lentilha, o tremoço é uma leguminosa e, por isso, é um legume com proteína de origem vegetal muito peculiar. Fruto de uma planta designada de “tremoceiro” do género “Lupinus albus”, entre nós, o tremoço dá o nome a uma das terras mais bem avinhadas de Portugal - Estremoz e é no Alentejo que ainda se vislumbram os campos lindíssimos, de tremoceiros em flor.
A cultura e produção de tremoço era espontânea em Portugal, uma vez que, crescia bem em más condições agrícolas, e resistente a pragas, requeria menos água do que muitas outras culturas. Hoje em dia, semeia-se em parte, para voltar a enterrar ou para ensilar, como forragem para o gado e devido à capacidade de fixar azoto nos solos, é utilizada como fertilizante natural, o que torna a cultura do tremoço amplamente útil: manutenção de alimento proteico , protetora do ambiente e elevadas qualidades nutricionais . Hoje, a produção sendo escassa, faz-nos depender do exterior, de acordo com a informação do projeto LeguCON, o que é de lamentar. Em termos nutricionais os tremoços têm várias vantagens; O seu baixo valor energético (um pires de 60 g possui cerca de 70 calorias), o seu elevado teor em proteína e fibra (possui 16% de proteínas e 5% de fibra) fazem deste alimento, um importante contributo para a regulação do apetite, tem capacidade saciante. A elevada presença de fibra, superior na casca dos tremoços, contribui para a regulação do colesterol e da glicemia, bem como para a regulação do trânsito intestinal. Relativamente à sua composição vitamínica e mineral destacam-se no tremoço quantidades substanciais de folato (ác fólico) ferro e zinco e estes 2 últimos não abundam em bula em alimentos de origem vegetal.
Qual o seu lado lunar? É simplesmente a sua excessiva quantidade de sódio(sal), não presente naturalmente no alimento, mas decorrente do sal adicionado depois da cozedura do tremoço. Na verdade, este petisco, tem muitos adeptos quando se trata de acompanhar uma imperial, fazendo parte da famosa “trilogia de esplanada”, contudo, esquecemo-nos do tremoço no nosso dia a dia sejam portugueses ou australianos.
O que é uma pena… pois, pode perfeitamente acompanhar nas refeições, num snack no final do dia, para controlar o apetite, ou mesmo num lanche, como complemento a um prato com mais açúcar, permitindo assim controlar melhor a curva glicêmica. Apesar de tremoço ser um alimento de origem vegetal as suas proteínas são de elevada qualidade e de estabilidade e tem um perfil semelhante ao da proteína da soja;
A sua combinação com cereais fornece-nos todos os aminoácidos essenciais nas proporções apropriadas. Parafraseando evidência de (Steel 2020) um terço da produção anual global de leguminosas é dada aos animais, enquanto esta quantidade poderia alimentar diretamente 10 vezes mais, se consumida diretamente por pessoas
Bem sabemos que o tremoço dá muito trabalho a apanhar e a curar e que as pessoas não estão dispostas a pagar muito por ele, mas não valerá a pena fazer um último esforço antes de desistirmos dele ? É que... os turistas não mediterrânicos desconhecem -no tal como o figo seco.
Já agora, já comeu tremoços com orégãos! Já agora 250 g de tremoços /3 colheres de Azeite/2 dentes de alho picados / 1 colher de sopa de manjericão fresco picado /1 colher de sopa de manjericão /pimenta q.b/ sal q.b
Dizemos nós, lambendo os beiços, mas que belo petisco !!
Infopédia
nome masculino
1. semente do tremoceiro-branco (Lupinus albus), achatada e de formato orbicular, comestível (uma vez fervida e mergulhada em água com sal até perder o sabor amargo, próprio de um alcaloide com propriedades tóxicas) e tradicionalmente consumida como aperitivo ou petisco
2. designação extensiva às sementes de outros tremoceiros
3. BOTÂNICA designação comum, extensiva às plantas do género Lupinus, da família das Leguminosas, perenes ou anuais e de porte herbáceo ou, raramente, arbustivo; tremoceira, tremoceiro
Do grego thérmos, «quente», pelo árabe turmûs, «tremoço»
Curiosamente apenas poucos países no mundo consomem os tremoços.
Digam se eu estiver errado mas que eu lembre, além de Portugal, Espanha e Itália creio que nunca vi tremoços em outros países.
Li há tempos que os espanhóis introduziram o hábito de comer tremoços em alguns países da América Latina.
Recebemos com frequência amigos estrangeiros cá em casa e muitos nunca tinham visto , provaram e gostaram.
Em Portugal, o nome deriva do árabe al-turmus revelando a longa tradição do seu consumo entre nós, ao contrário de muitos outros países ocidentais onde é um ilustre desconhecido à mesa.
O tremoço é a semente contida na vagem do fruto de uma planta muito bonita, chamada “tremoceiro” do género Lupinus, cujas flores apresentam corola papilionácea, podendo ser azuis, róseas, roxas, brancas, amarelas (a que origina o nosso conhecido tremoço), vermelhas ou ter mesmo várias cores.
A floração ocorre na primavera e verão.
O tremoço, à semelhança de outras leguminosas, como o grão, o feijão, a lentilha, a fava ou a ervilha apresenta diversas propriedades nutricionais muito interessantes para a saúde.
Contudo, o tremoço em natureza apresenta um aminoácido e alcaloides neurotóxicos. Estes são eliminados depois de cozidos e cobertos com água que deve ser mudada com frequência durante vários dias até perderem o seu amargo original, com a eliminação dos alcalóides.
A partir desse momento tornam-se no excelente alimento que todos apreciamos.
Na foto abaixo, de Abel Cunha, tirada durante a Mostra do Traje Popular, em Monção, vemos uma senhora com um alguidar de barro cheio de tremoços.
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