O feijão e as defesas
Um dia perguntaram a Umberto Eco qual tinha sido para ele o facto mais importante do segundo milénio. Umberto Eco, terá sido perentório foi a introdução do feijão na EuropaDurante a Idade Média e até ao final do século XV as leguminosas que se cultivavam em Portugal e no mundo Mediterrânico e entravam na alimentação humana eram a fava a ervilha o feijão frade o grande bico e a lentilha aquém muito devem as sociedades mediterrânicas. Mas com a entrada do feijão das américas…. é e foi outra coisa! Como iremos ver
Ao que parece, originário do Novo Mundo (Peru,) foi trazido então para a Europa pelos navegadores hispânicos,aliás os escritores quinhentistas portugueses já se referem ao feijão e á a sua expansão m Portugal. No entanto,atribui-se a um religioso, o mérito, de ter sido o primeiro a apreciar esta nova leguminosa e em difundir as suas qualidades. Corria o ano de 1528, quando um cónego Italiano, Pietro Valeriano, recebeu das mãos do Papa Clemente VII uma curiosa e desconhecida oferta. Os feijões procedentes do novo mundo. Plantou-os rapidamente para fazer testes e, depois de recolher e analisar os seus frutos. Determinou que esta nova leguminosa podia ser de grande utilidade alimentar. A partir desse momento, transformou-se no seu principal divulgador. E disse, inclusivamente, que chegou a enviar alguns feijões à nobre italiana Catarina de Médicis, casada com o rei francês Henrique II, assim como, o proverbial conselho < os homens também se agarram pelo estômago >. Podemos dizer que o feijão inundou o globo, pois, apartir do séc XVII já era cultivado em todos os continentes.
E porque é que ,à luz dos conhecimentos dos dias de hoje, com o “feijão é outra coisa” ? Porque é difícil encontrar algo de que o feijão não tenha. Pois é um verdadeiro arsenal de nutrientes indispensáveis a um plano alimentar diário completo.
É uma excelente fonte de proteína, essencial para a formação de novos tecidos e ajuda a manter os níveis de energia sendo pouco calórico Com uma quantidade de fibra significativa (7 g em 100 de feijão cozinhado) permite o bom funcionamento do tubo digestivo, facilita a digestão e ajuda a manter o colesterol baixo e o controle de apetite ,apresenta ainda um vasto portefólio nutricional, que inclui ferro ,cálcio, zinco,folato B9 e outras vitaminas do grupo B.,no entanto, que estes teores variam com o tipo de feijão
Contudo ,as estrelas mais cintilantes da companhia são a gama de flavonóides, onde se inclui flavonóis, antocianinas proantocianidinas isoflavonas e ainda alguns ácidos fenólicos, mas em proporções diferentes, conforme o tipo
Os ácidos fenólicos presentes em todas as variedades de feijão são representados pela família dos ácidos hidroxicinâmicos. São eles o ácido ferúlico, p comácrico, cafeico e sináptico havendo notória evidência científica dos efeitos desses ácidos na defesa do organismo contra a carcinogénese (prevenção do cancro), além das atividades anti-fúngica, antibacteriana, anti- inflamatória e antioxidante.
Mas hoje, ainda há um pequeno e grande senão, é que …..é muito provável que a razão pela qual existe em certo preconceito em relação ao feijão, seja a lembrança de outros tempos menos abastados em que era utilizado como substituto da carne e de peixe. Mas,este preconceito, pode nos sair caro, quer à nossa saúde, quer à manutenção da nossa identidade gastronómica, que é algo de que nos devemos orgulhar e não envergonhar. Concluindo, seja frade, preto, vermelho, branco e manteiga - é feijão, leguminosa com características nutricionais únicas, que deveria estar presente todos os dias em pelo menos uma das refeições almoço ou jantar a bem da nação e da “diversidade” da “sinergia nutricional”
Por isso - saia uma feijoada !Há tudo a ganhar!
Ganha-se no” poder de fogo” e ganha-se nas” defesas” !
Infopedia
nome masculino
1. semente reniforme e comestível do feijoeiro (Phaseolus vulgaris), muito utilizada na alimentação
2. vagem comestível que contém essas sementes
3. CULINÁRIA prato preparado com essas sementes cozinhadas, misturadas ou não com carne, verduras, etc.
4. BOTÂNICA (Phaseolus vulgaris) planta herbácea anual ou trepadeira da família das Leguminosas, nativa do continente americano (há inúmeras variedades cultivadas em todo o mundo, sobretudo pelos seus frutos e sementes comestíveis, muito utilizadas na alimentação), tem folhas grandes, trifoliadas, flores geralmente brancas e vagens lineares ou recurvadas; feijoeiro
5. BOTÂNICA designação comum, extensiva às sementes comestíveis de diferentes plantas da família das Leguminosas, sobretudo do género Phaseolus
6. casta de videira de uva preta, também conhecida por feijoa
7. Brasil figurado o conjunto de alimentos necessários a cada dia; sustento
Brasil coloquial, figurado feijão com arroz
o que é comum, quotidiano, banal
jogar a feijões
jogar apenas por distração; não jogar a dinheiro
Do grego phaséolos, «feijão de vagem», pelo latim phaseŏlu-, «feijão».FEIJÕES OU FEIJÕES
O nome do jogo
ALFREDO ARGILÉS 27/08/2010
A origem do feijão é americana e o seu nome é europeu, pois aí são chamados de feijão ou de muitas outras formas, dependendo do país que o distingue ou da variedade de que se trata, bem como da cor, tamanho ou parte que vamos vai comer: seja a vagem, seja o grão; Quer seja recém colhido ou seco durante meses.
Os judeus vieram para a Europa por causa dos nossos antepassados, que dedicaram os seus esforços primeiro à descoberta, depois à conquista e depois à importação de todo o tipo de produtos produzidos nas Índias. Mas isto foi numa altura em que os judeus já tinham sido expulsos de Espanha há muitos anos, e mesmo assim a etimologia insiste em chamar aqueles frutos da terra de judeus, descendentes de judeus - da tribo de Judá - de uma espécie leguminosa, que não só conhecem os seus pais nominais muitos anos depois de terem sido cozinhados e misturados com os alimentos mais impuros, como o pé de porco ou o chouriço da montanha.
Com esta fruta em particular, as contradições abundam e são evidentes ao ouvido: o prato chamado Mouros e Cristãos é feito com feijão, numa curiosa amálgama de religiões, embora os países árabes não participem em nada na sua concepção, que apenas contribuem com o nome., talvez por causa da escuridão demonstrada pelos judeus que o frequentam. Compreenderemos que a cultura popular que deu nome aos pratos, muitas vezes tornou-se perversa e maliciosa, ou na melhor das hipóteses incongruente.
Porém, apesar de uma etimologia que os confunde, o feijão prevalece no nosso mundo e em todos aqueles onde é cultivado, tornando-se um produto gastronómico essencial para alguns deles.
Vermelho ou preto? pergunta o garçom do restaurante mexicano; e não há dúvida, refere-se ao feijão, o que mais poderia ser quando falamos de comida! Sempre enchilados, sempre picantes; ao contrário da nossa tradição, que os rodeia de gorduras para que espalhem pela boca a suavidade das suas farinhas envoltas num poderoso transmissor das suas qualidades. Admire os que vêm da fabada, ou os cheios de manteiga, que chamam de estilo francês; os bretões, que contêm gordura e um toque de alho e tomate; ou ainda os italianos, famosos pela cozedura lenta, numa jarra de Chianti, pendurados durante longas horas no calor suave que uma fogueira emite ao longe, e com o único tempero da gordura mais refinada, que é o azeite.
Feijão branco, vermelho, preto, para uma cozinha que os adora e os utiliza em todo o lado, e à qual servem como prato substancial da comida popular.
E as vagens verdes como subtileza palatal, para fazerem parte de saladas cozidas e diversas e exóticas - estrangeiras como aquela que as perfuma com menta, ou próximas, temperadas com um vinagrete infundido com alho jovem - ou guarnições elegantes, onde se destacam pela o seu fino sabor e a pura cor verde que os acompanha
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