A canela do sonho .....à farófia

A canela de sonho …a farófia Originária da China e de Ceilão, esta especiaria é extraída de uma árvore, Cinnamomum Verum, em forma de pó e em pedaços, foi e é pessoa de família, entre os portugueses e na culinária lusa, como iremos ver. Na antiguidade egípcia a canela era mais preciosa do que o ouro, utilizada como bebida, como agente medicinal e de embalsamar ;(muito similarmente como o mel?) O comércio, esse, era feito pelos árabes, que mantiveram secreta a origem do produto, elevando assim o seu valor comercial. Seria da China? ou de Ceilão? --"Vinha do Oriente".(que na altura seria o Paraíso)Enigmáticas histórias contribuíram para manter uma mística, e a exclusividade do uso da canela, passou a ser acessível somente a classes privilegiadas. O monopólio das rotas e do comércio das especiarias, manteve-se nas mãos dos muçulmanos até ao séc. XV, partilhado com os Italianos (Genoveses e Venezianos) que as distribuíam para o resto da Europa (apesar das bulas papais proibirem estas relações comerciais com os infiéis,...e, parece que valores mais altos se levantavam – ontem, como hoje!).Os Portugueses lançam-se na aventura da expansão, entre outros motivos, para descobrir uma rota marítima e conquistar o mercado das especiarias, que podia trazer avultados lucros à coroa. A canela, foi desde logo uma das especiarias mais procuradas na Europa tinha um valor mítico e simbólico. O nosso Garcia da Horta era perentório “nenhuma especiaria se pode comer com gosto senão a canela” Encontraram-na na ilha de Ceilão (Sri Lanka), a partir daí enviaram toneladas para a Europa até ao séc. XVII e advieram. êxitos comerciais e avultados lucros. “ao cheiro da canela, o Reino se despovoa “alertava Sá de Miranda … e a torneira fechou-se, aquando os holandeses se apoderaram dessa exploração e comércio da canela (séc. XVII). No entanto, esta ficou entre nós, mesmo nas horas amargas. Em Portugal tornara-se usual lançar o pó de canela por cima da comida “para melhorar a digestão “Aliás, desde o séc. XVII -até ao início do séc. XVII pensava-se que a digestão, seria como uma “cozedura”, portanto era essencial e “dar calor “á comida (as carnes eram consideradas frias e então havia que aquecê-las, e polvilhavam-se com canela que era considerada alimento quente). Mas hoje, sabe-se que os egípcios não estavam totalmente enganados, pois são hoje bem reconhecidas, as suas propriedades antimicrobianas, bem como o seu efeito anti-inflamatório, e anti -oxidante este, resultante do seu elevado teor de polifenóis. O seu uso tem revelado resultados interessantes, quanto às suas propriedades medicinais.É unânime o seu potencial efeito antidiabético.Isto é, a sua capacidade os efeitos da insulina no organismo e de potenciar a sua atividade. (Existe numa diminuição real dos níveis de açúcar no sangue após as refeições), isso, parece estar confirmado por múltiplos estudos existentes. Mas…. a polémica instala-se; apesar das baixas glicémias verificadas, não se verificavam as correspondentes baixas dos níveis de Hemoglobina Glicosada (exame mais credível que as glicémias do próprio dia,) e a dúvida prevalece. Pergunta-se, poderemos ter fármacos de canela, devidamente certificados, a entrar na terapêutica da Diabetes tipo II? Aguardam-se mais investigações e necessariamente "evidências ". Em Portugal, no entanto, o pragmatismo imperou e felizmente existem múltiplos modos de a apreciar, no chá, café, fruta (dióspiro), pão, iogurtes, substituindo” algo” o famigerado “açúcar”, Mas a canela, foi e é nossa. Está indelevelmente tatuada na tradição culinária portuguesa, nos polvilhamentos da doçaria lusa de influência mourisca, está na alma do leite creme, da aletria e principalmente do nosso “grande acepipe nacional “--- arroz doce, no dizer de Eça de Queirós o “arroz a la portuguesa “ -- como é denominado pelos estrangeiros e que nós teimosamente escondemos aos nossos visitantes turistas. Indopédia nome feminino 1. casca da árvore chamada caneleira, aromática, usada (em pó ou fragmentada) como condimento culinário, em doçaria, perfumaria, para fins terapêuticos, etc. 2. BOTÂNICA (Cinnamomum zeylanicum) árvore de origem cingalesa, da família das Lauráceas, pode atingir cerca de oito metros de altura e tem folhas ovadas, flores aromáticas e frutos ovoides, sendo cultivada em diferentes regiões tropicais pela sua casca, usada como especiaria, para fins terapêuticos, etc.; caneleira 3. cor acastanhada, semelhante à do pó da casca da caneleira 4. BOTÂNICA designação comum, extensiva às plantas do género Canella, da família das Caneláceas, que fornecem madeira de boa qualidade 5. Brasil BOTÂNICA designação comum, extensiva a diferentes árvores da família das Lauráceas, de madeira resistente 6. ZOOLOGIA (Hipparchia semele) inseto lepidóptero, da família dos Ninfalídeos, observável em Portugal, pode alcançar perto de seis centímetros de envergadura e exibe asas de face superior acastanhada, com ocelos negros e manchas amareladas na zona das margens, sendo a face inferior de coloração alaranjada 7. peça das máquinas de costura ou tecelagem onde se enrola o fio 8. popular plural pernas dar às canelas fugir, correr Brasil ensebar as/pôr sebo nas canelas fugir, correr tirado das canelas desembaraçado, expedito, bem-apresentado, elegante Do latim cannella-, diminutivo de canna-, «cana»

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