Marmelos e marmelada

Marmelos e marmelada O marmelo é parente da maçã e da pera, proveniente da Pérsia. A sua adstringência e a difícil conservação, ao contrário das suas irmãs, obrigaram a ter de “dar-se a volta " a bem da necessidade e do paladar humano. Assim, já o grande Apício relatava o cozimento de marmelos (melimelum) com mel, que gregos saboreavam e aproveitavam. Consta que, esta “pasta “ cuja capacidade de conservação permitia que fosse enviada da Síria para Roma sem se corromper, já era receitada por Galeno (Séc.I) com finalidades medicinais (propriedades digestivas e estomacais), logo, de grande uso e consumo . Conservas de marmelo, de limão, de rosas, de maçãs, de ameixa e de pera, já figuram nos compêndios cerimoniais do Império Bizantino. Mas os precursores das conservas de marmelos com açúcar (compotas) parecem ter sido os persas na Idade Média e, todos nós sabemos da influência maometana na doçaria portuguesa. Entre nós, crê-se que a transição do mel, para o açúcar, enquanto meio de conservação dos marmelos, se estivesse a operar já por volta da década de 1440, (após a coroa portuguesa se tornar monopolista do açúcar chegado da Madeira e do Algarve) e a produção em massa chegaria. A partir daqui haveria uma grande difusão e exportação da marmelada portuguesa para a Europa, a tal ponto que vários autores atribuem, uma origem portuguesa aos vocábulos marmalade do inglês e marmelade do francês. No entanto é quinhentista a primeira receita escrita no mais antigo manuscrito de receitas português (Livro de Cozinha da Infanta D. Maria ) neta de D Manuel I. Há também registos documentais do consumo de conservas no Mosteiro de Tibães (peradas,pessegada,abóborada, cidrada e os vários doces feitos á base de marmelos - Do marmelo fazem-se vários tipos de marmeladas; a geleia ,o marmelo aos quartos e os ladrilhos ou bocados ). Nas famílias torna-se evidente a passagem oral das receitas entre gerações na produção e consumo destas conservas, afim de se usufruir em pleno do seu valor nutricional e durante mais tempo. E acrescente-se, que a marmelada só teve e tem o sucesso, porque o marmelo cru pouco préstimo tinha, é somente experimentar a sua adstringência e contrastar com a delicia de uma fatia de marmelada. Em alguns estudos, efetuados com as diferentes partes do fruto, pele, polpa e sementes, realçaram o conteúdo elevado de vitamina C, de pectinas, portanto, fibras alimentares solúveis e como fitoquímicos existem os compostos fenólicos, os flavonoides (Quercetina/ Rutina/ Kaemferol) que apresentam atividade antioxidante, revelando-se muito úteis como agentes terapêuticos nas prevenções de doenças em que estão implicados os radicais livres. Acrescente-se, que existe um estudo português que sugere algum potencial anticancerígeno do marmelo (Cydonia Oblonga) em células renais cancerígenas. Muitos de nós ainda se lembram pelo Outono, aquando nas casas portuguesas, as famílias se reuniam para preparar a tradicional marmelada. Enchiam-se pequenas tigelas de louça, colocava-se ao sol e mais tarde depois de cobertas com papel vegetal, distribuíam- se pelos elementos da família e alguns amigos ;ssim, ao longo do Inverno, pequenas fatias adoçavam os lanches (pão + queijo). Lembra-se que cada família tinha uma marmelada que se distinguia das outras, ou pela cor ou pelos aditivos ou pela confeção?Enfim …..singularidades. Urge assim, salvaguardar, o fraternal espírito, que imbuía o “fazer a marmelada” de cada família. E já agora; sabia que em alguns restaurantes, pedir de sobremesa um “Romeu e Julieta” equivale a colocarem-lhe na mesa uma boa fatia de queijo, que sustem uma fatia de marmelada? E que nome atribuir ao requeijão + marmelada, perguntamos nós? Ousemos pois! Infopédia nome masculino 1. fruto comestível do marmeleiro (Cydonia oblonga), de casca amarela e aveludada e polpa dura, ácida e adstringente, usado sobretudo no fabrico de doces e compotas 2. BOTÂNICA (Cydonia oblonga) planta que produz esse fruto; marmeleiro 3. popular pessoa incerta ou cujo nome não se quer mencionar; gajo, marmanjo 4. popular, pejorativo finório, patife, velhaco 5. calão seio de mulher Do grego melímelon, «idem», pelo latim *melimellu-, por melimelu-, «maçã doce» marmelada nome masculino 1. fruto comestível do marmeleiro (Cydonia oblonga), de casca amarela e aveludada e polpa dura, ácida e adstringente, usado sobretudo no fabrico de doces e compotas 2. BOTÂNICA (Cydonia oblonga) planta que produz esse fruto; marmeleiro 3. popular pessoa incerta ou cujo nome não se quer mencionar; gajo, marmanjo 4. popular, pejorativo finório, patife, velhaco 5. calão seio de mulher Do grego melímelon, «idem», pelo latim *melimellu-, por melimelu-, «maçã doce»

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