A Magia e os medicamentos
Qualquer médico experiente e avisado ,reconhece a justeza, deste conselho de um clínico sénior “Ninguém pode sair daqui sem uma receita”. É que : o português gosta de medicamentos, um facto aliás comprovado pela quantidade de farmácias que encontramos nas nossas cidades. Agora, um estudo do Infarmed quantifica este fenómeno: dos gastos das famílias com saúde, cerca de um terço é destinado a medicamentos.E, podemos assegurar, a maioria deles é completamente dispensável; seu uso resulta da concepção mágica, segundo a qual tudo pode ser curado pela medicação. Os exemplos são vários.
Tomemos o caso dos suplementos vitamínicos. Excetuando-se os casos em que a pessoa sofre de alguma deficiência peculiar, por doença ou por outra razão, uma dieta equilibrada fornece as vitaminas de que necessitamos.
Outro exemplo ,,o efeito do “Legalon”,dos chamados hepatoprotetores, medicamentos que supostamente protegiam o fígado, muito na moda nos anos 80 e 90 .Já na altura Médicos categorizados eram perentórios e categóricos: “Não há medicamentação capaz de ‘proteger’ o fígado”, garantiam. Mas, entre nós,ai do médico que não ia ao encontro da crença do seu paciente .
Outro exemplo o hiperconsumo dos denominados protetores gástricos (inibidores da bomba de protões(IBP)Ex Nexium usam-se para tratar da doença de refluxo gastro-esofágico . Os consumidores destes produtos inapropiadamente ( entre nós, muito frequente em idosos) podem vir a sofrer secundáriamente do efeitos do bloqueio à produção de ácido do estômago,algo de que se necessita para uma digestão normal. Deixa a pessoa vulnerável a deficiências nutriciais e vitamínicas ,a infeções,a risco acrescido de doenças cardíacas,renais, …. da inflamação (dificulta excreção de acido úrico e afecta as bactérias intestinais benéficas ao“microbioma”)
À lista de medicamentos “mágicos”, poderiam ser acrescentados os que “devolvem” a memória, aqueles que dão “energia”,(ampolas bebíveis de Socian) aqueles que aumentam a potência sexual...
Os modernos medicamentos representaram uma verdadeira revolução na medicina. Os antibióticos, revolucionaram a medicina desde o pós da II Guerra Mundial no combate as doenças infeciosas Os medicamentos para doenças mentais ajudaram a esvaziar os antes superlotados manicómios Muitas formas de câncer podem ser curadas ou controladas com medicação. Mas em todos esses casos, houve uma pesquisa séria e fundamentada, condição básica para o uso de medicamentação
Podemos dizer ,que esta revolução medicamentosa contribuiu em parte para que a população em alguns países, em meio século ,aumentasse a expectativa do ser humano 30 anos .
A despesa de particulares com medicamentos é enorme. Alguém dirá: isto acontece porque o poder público não gasta o suficiente na área. Verdade. Mas ocorre principalmente porque a saúde pública só usa medicamentos de eficácia comprovada, e os usa para combater problemas muito reais: neoplasias ,hipertensão, covid sida tuberculose, diabetes e depressão
De maneira geral, podemos dizer que a melhor medicação é um saudável estilo de vida: dieta adequada, exercício físico, rejeição do fumo, do excesso de álcool, das drogas.
Estas é que são as verdadeiras pílulas mágicas.
Despesas nas Farmácias (num artigo de19 de Junho de 2018 ) de Pedro Vilela Marques
Em 2017 houve um estudo para verificar o gasto em medicamentos por pessoa em cada concelho
O que é que mostrou esse estudo?
O gasto maior verificava no concelho de Mora (380 euros)- Alentejo o menor no concelho da Maia (115 E)
globalmente poderíamos dizer que a despesas em medicamentos na Farmácia per capita era na altura maiores nas zonas do interior Centro e do Alentejo apresentando um valor superior à média nacional que em 2017 rondou 200 E /habitante
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