Da "construção do conhecimento´" à descoberta da aspirina
Claramente:o mais prático dos sois,
o sol de um comprimido de aspirina:
de emprego fácil,portátil e barato,
compacto de sol na lápide sucinta.
João Cabral de Melo Neto poeta brasileiro
As origens da aspirina remontam a quase 4.000 anos. Na Suméria e no antigo Egito, a casca do salgueiro era usada para aliviar a dor.Hipócrates, o pai da medicina,já a usava para aliviar a dor de seus pacientes
Com base nesse conhecimento tradicional,em 1763 Edward Stone investigou seu uso contra a febre e, em 1828, Johann Buchner extraiu da casca um ingrediente ativo, a salicina.
A partir dele foi obtido o ácido salicílico, que por sua vez, em 1853, foi transformado pelo quimico frances Charles Frédéric Gerhardt em ácido acetilsalicílico
No entanto, somente em 1853 que o químico francês Charles Frédéric Gerhardt fez a descoberta que abriu o caminho para a produção em massa da medicação em questão.A salicina, da forma que é encontrada no salgueiro, possui um efeito suave na dor. Dessa forma, Gerhardt extraiu um derivado mais potente desse produto, chamado de ácido salicílico, e foi capaz de elaborar uma fórmula molecular, que permitiu a produção em laboratório, em concentrações muito maiores do que a encontrada nas plantas. E aí surgiu um problema! Apesar de ser muito mais eficaz no alívio da dor, há efeitos adversos importantes para o estômago, sendo capaz de causar náuseas, hemorragia, diarreia, necessitando de um certo “tamponamento” a fim de evitar esses efeitos. No decorrer de seu trabalho, Gerhardt optou por misturar cloreto de acetila com ácido salicílico a fim de reduzir os efeitos colaterais desse último. Com o produto encontrado, criou-se pela primeira vez uma forma rudimentar de ácido acetilsalicílicoO químico dedicou sua carreira à pesquisa de simplificações das fórmulas usadas na química, mas seu maior sucesso foi a síntese de anidridos de ácido, que acabou levando à descoberta da aspirina (mesmo que ele não tivesse valorizado na época. Que tristeza!)
Durante muito tempo o uso ficou limitado pelos intensos efeitos adversos da droga. Quem foi capaz de criar um produto mais adequado e eficaz para a utilização em massa foi Felix Hoffmann, funcionário da fabricante de corantes Friedrich Bayer e Co, na Alemanha. O pai de Felix sofria de doenças reumatológicas e incentivou o filho a desenvolver uma medicação analgésica e que fosse menos irritante ao sistema gástrico do que os produtos já existentes à base de ácido salicílico. Hoffmann e alguns colegas que trabalhavam na Bayer desenvolveram com sucesso uma forma eficaz e facilmente sintetizada de ácido acetilsalicílico, que era mais ténue ao estômago do que o ácido salicílico. Em 1897, foi produzida a primeira amostra. A Bayer patenteou a invenção e começou a distribuir o medicamento sob a marca “Aspirin” em 1899.
.Coube no entanto a Félix Hoffman e a seu colega Arthur Eichengrün sintetizar essa substância, o que permitiu sua comercialização pela firma fundada em 1863 por Friedrich Bayer.Na verdade, esta empresa dedicava-se à produção de tinturas, mas como descobriram que muitos compostos que manipulavam também tinham propriedades terapêuticas, dedicaram-se a investigar a utilidade desses produtos, inclusive a aspirina. Esta foi a grande descoberta da empresa que, entre outros produtos, sintetizou a heroína, o Prontosil, a ciprofloxacina e o Suramin (um anti-helmíntico extremamente útil para tripanossomíase ou doença do sono)
Geralmente nós humanos temos tendência para a honrar aqueles que descreveram um novo produto e esquecer aqueles que reuniram as evidências para mostrar sua eficácia.No entanto, neste caso foi o contrário.
O único a lucrar às custas deste produto foi Heinrich Dreser, promotor dos benefícios do ácido acetilsalicílico. Graças aos seus estudos, este produto foi lançado no mercado em 1899 com o nome de Aspirina.
A sua defesa deste medicamento foi tão impetuosa que ele se esqueceu de citar Hoffman e Eichengrün
Nas décadas de 70 foi descoberta a sua capacidade antiplaquetária e anticoagulante sendo prescrito, na actualidade, para prevenir o risco cardiovascular em pacientes suscetíveis e o risco de neoplasias, ( reduzir a incidência e mortalidade de neoplasias digestivas assim como possivelmente também da mama pulmão e próstata)
Depois de múltiplas vicissitudes apraz registar, que John Robert Vane, da Universidade de Londres, em 1982,revelou o modo como o ácido acetilsalicílico atua no nosso organismo.Este composto inibe a síntese do ácido araquidônico de prostaglandinas, as substâncias naturais responsáveis por mediar os processos de dor e inflamação. Assim, Vane e seus colaboradores, desvendaram o mistério que intrigara galenos” ad tempore”
Sem dúvida, não só, um sol que expulsa a noite da noite da dor, mas tanbém, faz crescer a arvore da medicina no combate à doença.
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