Florence Nightingale, a mãe da enfermagem moderna

Era 31 de outubro de 1854, trinta e nove enfermeiras voluntárias, lideradas pela Sra. Florence Nightingale  de 34anos , desembarcaram em Scutari -Crimeia, n acampamento inglês nas margens do Mar Negro Na primeira Guerra da Crimeia. que opunha russos a ingleses e franceses. ao longo de sua vida mostrou uma vontade de ferro que derrubou muitos preconceitos da era vitoriana. Florence Nightingale nasceu em Florença, na Itália, no dia 12 de maio de 1820, na época em que seus pais residiam na Itália. Filha do milionário William Shore Nightingale foi aluna do King’s College de Londres. Numa viagem ao Egito, visitando hospitais, despertou sua vocação para a enfermagem, apesar de na época não ser uma atividade digna. Aos 17 anos resolveu seguir em frente com aquilo que considerou ser “o chamamento de Deus “Na Inglaterra, iniciou seu aprendizagem, repartindo o tempo entre aulas de anatomia e visitas ao hospital do distrito Em 1851, aventurou-se na Alemanha, para frequentar a Escola de Enfermagem Fliedner, onde viveu sua primeira experiência como profissional entre as religiosas protestantes de Kaiserswerth.É curioso que todos conheçamos a primeira enfermeira inglesa e não tenhamos ideia de senhoras e senhores alemães que se dedicaram a cuidar dos doentes no seu país. Sentia-se apetrechada e motivada para o exercício regular das suas funções . O conhecimento de Sydney Herbert em 1847 ,aquando era secretária de guerra durante o conflito da Crimeia que lhe trouxe uma visão global do mau estado de saúde dos soldados britânicos quer dos seus serviços de saúde.(morria-se de doenças infeciosas ,malária, frio …mais do que de balas inimigas causadas no campo da batalha ) Que situação viria a encontrar? No mesmo dia em que Florence chegou com suas voluntárias, chegaram os 1.050 feridos da famosa carga da Brigada Ligeira.O quartel que servia de hospital carecia de todo conforto; Eram berços de palha onde abundavam ratos e piolhos. Centenas de feridos chegaram àquele lugar imundo em busca da morte certa. .O hospital tinha poucos médicos que, seguindo os costumes da época, davam pouca atenção à assepsia. Não só para assepsia: também não buscavam alívio da dor dos pacientes. Embora o clorofórmio estivesse em uso por dez anos, seu uso foi proibido em Scutari pelo Dr. John Halle, médico-chefe do hospício. Ele sustentou que "um bisturi afiado é um estimulante poderoso e é muito melhor ouvir um homem gritar do que vê-lo cair silenciosamente em uma cova"Para completar a desolação, 250 mulheres, viúvas ou  convalescentes matavam o tempo nas proximidades do hospital bebendo gim ou se prostituindo. No entanto a chegada de Nightingale não passou despercebida; as suas companheiras foram alojadas na chamada "Torre das Irmãs", um local que até recentemente era usado pelos russos. Uma das primeiras tarefas que os recém-chegadas tiveram que fazer foi se desfazer do corpo de um general russo, esquecido por seus camaradas. Logo puseram as companheiras de Florence para costurar uniformes e cobertores, mas nada para atender pacientes:pois isso era coisa de homem. Florence não era fácil de domar, repreendia todos os que obstaculizassem o seu trabalho, fosse ele um soldado ou um general argumentando com direito a contraditório. Ela tinha como sua arma secreta:o manuseio das estatísticas. Estas serviam como arma de arremesso no uso do contraditório Os números eram mais do que eloquentes assim tornava-se fácil revelar o caótico estado da assistência sanitária naquele hospital militar e como o corrigir. Com o apoio incondicional de William Howard Russell, jornalista do Times, denunciou o tratamento desumano dos serviços de saúde com dados fornecidos pela própria e Florence e a sua equipa começou a trabalhar normalmente, apesar da resistência das autoridades. No entanto era necessário resultados e as taxas de mortalidade teimavam em diminuir. Algo mais havia ser feito As condições de superlotação eram incompreensíveis e tornava-se urgente medidas de limpeza mais aprofundadas nesta operação (esvaziaram-se as latrinas do hospital, tiraram da fossa dois cavalos mortos, vinte e quatro outros animais de diferentes espécies e tamanhos, em diferentes graus de decomposição. Quinhentos e cinquenta e seis carrinhos foram necessários para remover tanto lixo fedorento).Graças à campanha iniciada pelo Times, 30.000 libras esterlinas foram arrecadadas e usadas para comprar roupas de cama, talheres e alimentos para convalescentes, A Sra. Nightingale teria mais um aliado na sua luta nomeadamente o seu amigo cozinheiro Francês Alexis Soyuz, de Londres que foi para Scutari como voluntário e, graças às suas habilidades culinárias, daria o seu jeito no contentamento dos comensais . Com todas estas demarches feitas os resultados estatísticos melhorariam significativamente. Segundo historiadores da medicina, duas personalidades a precederam nessa mistura de matemática e medicina. Uma delas foi Edwin Chadwick, aluno do utilitarista Jeremy Bentham, que documentou a relação entre água potável e doenças infecciosas, relação confirmada por William Farr, um obscuro farmacêutico que trabalhava no sombrio escritório de Registos de Nascimento e Óbito, e aproveitou a tempo livre que seu trabalho lhe deixou para associar as causas de morte aos locais e possíveis fontes de contaminação. Foi Sir John Snow,( parteiro da rainha Vitória, a quem anestesiou com clorofórmio,) que foi o primeiro a relacionar a cólera à qualidade da água. Esses senhores e Florence transformaram a arte da cura na ciência de saber contar e relacionar variáveis ​​para entender as doenças, suas causas e consequências. Novamente O Times, em seus artigos sobre a obra de Florence, imortalizou a figura da “Dama da Lâmpada” pois com uma lanterna na mão ,laivos de luz e de esperança apareciam nos corredores noturnos, anunciando a vinda e a proteção do Anjo da Guarda . Na volta à Inglaterra, Florence foi recebida com festejos. Mas debilitada . Mesmo assim, ainda trabalharia muito na criação de escolas de enfermagem e na reforma sanitária dos hospitais militares e quartéis, onde soldados morriam, mesmo em tempo de paz. Apesar do estímulo recebido da Rainha Vitória, a oposição do Ministério da Guerra persistia, pois não via sentido essas ideias em tempo de paz. Para esclarecer a opinião pública, e mobilizá-la em seu favor, em 1858, Florence escreveu dois livros: “Administração Hospitalar do Exército” e “Comentários sobre Questões Relativas à Saúde”. Com as contribuições necessárias, as reformas foram realizadas e um hospital foi construído. Em 1860, Florence viu nascer a Escola de Enfermagem do Hospital Saint Thomas, em Londres. Com o trabalho reconhecido, em 1883, Florence recebeu da rainha Vitória, a Cruz Vermelha Real, e em 1901, tornou -se a primeira mulher a receber a Ordem do Mérito. O Dia Internacional da Enfermagem é celebrado no dia de seu aniversário - 12 de maio. Desta forma foi eternizado no bronze que fica no Pall Mall. Florence Nightingale passou o resto de sua vida na cama. Ela raramente saía de seu confinamento, cuidada pelas mesmas enfermeiras que ela havia treinado. De acordo com o quadro clínico, pode ser uma forma clínica grave de brucelose associada a um quadro de fadiga crónica, síndrome febril prolongada e espondiloartrites. Outros falam de um componente psicossomático, de uma hipocondria incontrolável. Hoje pode-se dizer que Florence sofria de síndrome de fadiga crónica ou fibromialgia. A Sra. Nightingale aproveitou sua longa convalescença para escrever mais de 200 artigos e livros que refletem sua importante contribuição como professora.  De fato, a educação cuidadosa que recebeu quando jovem permitiu-lhe colaborar com Benjamin Jowett na tradução inglesa dos Diálogos de Platão. Entre as muitas coisas que ela escreveu, destaco estas brilhantes considerações para uma mulher que não teve a educação formal de médica: “A observação indica como está o paciente; reflexão, o que precisa ser feito; habilidade, como fazer, mas é preciso treinamento e experiência para saber observar e o que observar; como pensar e o que pensar”

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