transtorno obsessivo-compulsivo [TOC]

Sigla castiça e até simpática, para designar o transtorno obsessivo-compulsivo [TOC] que na realidade não o é. Quadro psiquiátrico, que atinge cerca 4% da população,é “uma das doenças mais incapacitantes, mas também uma das doenças mentais mais menosprezadas, até ao nível da investigação científica.(calcula-se que, em Portugal, afete cerca de 400 mil pessoas cerca 4% da população” – acima da prevalência geral de 2% a 3% estimada a nível mundial ) Caracteriza-se por pensamentos que perseguem a pessoa e por comportamentos repetitivos, ritualísticos; Sentir a necessidade de limpar partes do corpo ou da casa várias vezes por dia, colocar objetos de forma rigorosamente simétrica, realizar algumas ações ou tarefas sempre na mesma ordem, verificar regularmente se portas e janelas estão fechadas, acumular coisas inúteis por incapacidade de se desfazer delas, enfim, há vários sinais que podem não passar de simples “cismas” para muitas pessoas, mas para outras são sintomas de um calvário obsessivo--compulsivo que as condiciona seriamente. Resumidamente,existem diferentes tipos de obsessões: relacionados com lavagem e contaminação, com dúvida e verificação, ordem e simetria, acumulação ou medo de pensamentos transgressores sobre comportamento, sexo ou religião”.É uma doença que começa, na maior parte das vezes, na adolescência ou início de vida adulta, e por isso acompanha grande parte da vida do doente. É uma doença muito incapacitante, que implica níveis de sofrimento e diminuição de qualidade de vida muito significativos.provocando secundáriamente depressão e perturbações de ansiedade Por vezes ,nos casos mais graves,as pessoas ficam horas a fio a repetir rituais ou são mesmo incapazes de sair de casa” Na Idade Média achava-se que estas pessoas estavam “possessas”; O Toc afetou, e afeta, gente famosa. Roberto Carlos é um exemplo conhecido, assim como Woody Allen, Harrison Ford ...Mas o mais famoso obsessivo-compulsivo de todos os tempos foi o empresário, diretor de cinema e aviador Howard Hughes, que morreu em 1976, retratado em filme de Martin Scorsese com Leonardo di Caprio no papel principal. “Hoje,sabe-se que se trata de uma possível combinação de problemas psicológicos e cerebrais, provavelmente ligados a neurotransmissores, sabemos que há algumas áreas mais disfuncionais no cérebro, mas não sabemos porque é que a doença acontece, nem como corrigir essas disfunções” Sabe-se que entre os fatores de risco estão componentes hereditários, mas ainda não se sabe como; Sabemos que pode haver ligação a algumas infeções em criança, a eventos traumáticos de stress crónico; Conhecemos indicadores de mau prognóstico, como a quantidade de anos sem tratamento, a idade de início dos sintomas e o sexo masculino; Atualmente, os tratamentos de primeira linha existentes passam pelo uso de fármacos antidepressivos e pela psicoterapia. Mas só cerca de 50% das pessoas respondem a esses tratamentos, muitas continuam com sintomas muito significativos. Para muitos doentes é necessário avançar para “tratamentos de segunda linha”,o que significa o recurso a “antidepressivos triciclos, mais fortes, e antipsicóticos.” Aí, a taxa de sucesso sobe “até dois terços”.Entre nós, está a testar-se a eficiência de doses específicas de fármaco dopaminérgico utilizado na Parkinson,no tratamento dos sintomas de transtorno obsessivo-compulsivo”. Novas ferramentas precisam-se A obsessive-compulsive disorder (ocd), no termo em inglês, mostra, entre outras coisas, como pode ser ténue o limite entre o normal e o patológico . Lavar as mãos é uma coisa boa, e agora, em época de Pandemia Covid, muito recomendada; mas onde termina o saudável hábito higiénico e onde começa a compulsão? . Mas em outras situações o bom senso deve predominar, e, em caso de dúvida, não custa procurar ajuda.

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