O DESTRUNFAR DINHEIRO COMPULSIVO

Dois psiquiatras, o alemão Emil Kraepelin (1856-1926) e o suíço Eugen Bleuer (1857-1939), foram os primeiros a escrever sobre as compras compulsivas (ou oniomania), no início do século XX. Eles observaram que algumas mulheres com esse diagnóstico buscavam excitação, assim como os jogadores patológicos, geralmente homens. O tema demorou-se no esquecimento e foi retomado de forma mais intensa na década de 90. O Distúrbio, ainda, não foi qualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na CID9 Este paciente,não consegue controlar o desejo omnipresente de compra. O acto é imediatamente seguido por intenso sentimento de alívio.” Em situações de impossibilidade de comprar, podem aparecer sintomas como irritação, sudorese, taquicardia, tremor e sensação de desmaio iminente. Algum tempo depois de adquirir a nova peça, surge a sensação de remorso e frustração diante da incapacidade de controlar o impulso. Numa atitude compensatória, o mal-estar causado pela culpa, leva –o a comprar novamente, dando continuidade ao círculo vicioso. Para o compulsivo, o único prazer está no acto de adquirir, ele não pretende usufruir do objecto. Há, portanto, uma diminuição do prazer, um empobrecimento social e uma queda da qualidade de vida, já que a pessoa se torna apática diante de outros estímulos. No entanto há aqueles, que podem ter “orgias” de compras ocasionais em algumas situações, como aniversários, épocas de festas e férias mas não reúnem os critérios de “comprador compulsivo” pois neste caso existem largos intervalos livres; sendo de acrescentar que este síndrome pode ser comórbido com o espectro bipolar, pelo que pode estar em sintonia, com a erupção e evolução desta doença Esta perturbação, tem início no final da adolescência, fase em que as pessoas conseguem crédito pela primeira vez, fazendo com que alguns já iniciem a vida adulta como uma dívida incalculável. As compras descontroladas feitas por adolescentes podem estar associadas ao abuso de drogas e de álcool e ao início precoce da vida sexual Quanto á sua explicação, pensa-se tratar-se de um comportamento aprendido. Embora não haja um “modelo”, há muitos casos de pessoas com o transtorno que tiveram pais ausentes, que compensavam a negligência com presentes. Com isso, ensinavam que objectos e produtos compensavam a tristeza e este comportamento podia ser adoptado pela criança na fase adulta; para além de haver uma predisposição genética para um déficit de controle de impulso .Sob o ponto de vista biológico, a diminuição de serotonina no cérebro parece estar ligada à impulsividade ,assim como, a dopamina, relacionada à dependência de substâncias e de comportamentos. As alterações na actividade deste último neurotransmissor podem estar associadas à busca de recompensas, que causam sentimentos de prazer. Alguns autores propõem a existência de um mecanismo de dependência desencadeado pelo deficit de dopamina, que provoca a chamada síndrome de deficiência da recompensa indiciando que algumas pessoas têm mais risco de desenvolver dependência. Socialmente, este distúrbio pode estar ainda, relacionado com a necessidade de estabelecer relações de poder.Aliás, a nossa sociedade ensina-nos, que para de ser poderoso, é preciso possuir algo(s). Finalmente e segundo a maioria destes terapeutas, “as pessoas que não estão inseridas em alguma comunidade, seja no trabalho, na família ou na igreja ou outras,têm maior possibilidade de desenvolver algum tipo de dependência, seja por compras, jogos e internet”…, Como tal,há que, tomar umas pastilhas se tal for necessário e ser, o mais gregário possível!

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