Mulher e Medicina
A história das mulheres no campo da saúde começou a escrever-se com destaque, no último terço do séc.XIX, quando tiveram acesso às aulas universitárias ,pois, mulher podia adoecer, mas não podia curar. No entanto,é de referir, fazendo um corte longitudinal aos tempos,que No Egito, Merif Ptah ( Primeira médica conhecida 2700 aC)homenageada num túmulo na necrópole Mênfis e 200 anos mais tarde, Peseshet “ supervisora das médicas “ imortalizada no túmulo do seu filho, fazem-nos crer, que mulheres médicas eram membros respeitados na sociedade do Antigo Egito. Na Grécia, a primeira mulher a exercer Medicina Agnodice , ao que parece, pertencia a uma família abastada de Atenas no séc.IVa.c. Demonstrou o desejo de aprender Medicina para poder ajudar as parturientes, pedido que lhe foi negado, pois esta profissão estava proibida ás mulheres. Não lhe restou outro remédio a não ser cortar o cabelo, vestir-se de homem e dirigir-se a Alexandria ,para estudar com Herófilo, e aí alcançou o seu objetivo. Viria mais tarde a ser acusada e julgada, tendo sido obrigada a revelar o seu sexo , e posteriormente absolvida,. A sua vida inspirou a escritora Gilian Bradshaw no seu livro “ O Farol de Alexandria “. Os gregos não reconheceram a figura feminina no contexto socio sanitário, pelo que não houve enfermeiras na Grécia antiga. Na civilização romana,as mulheres foram aceites como médicas, algumas chegaram mesmo a alcançar grande prestígio . Destacaram-se Filista e Lais , especialistas em Obstetrícia; Salpe de Lemos, que escreveu sobre doenças oculares, e Metodora , que abordou as doenças do útero, do estômago e dos rins .as matronas receberam o seu nome de obstetrix, que era o vocábulo utilizado para designar as parteiras romanas No medievo,Hildegarda Bingen (1098-1179) teve posição destacada deixando 2 escritos um de conteúdo médico-farmacêutico e outro de místico -religioso Enfermeira da Antiguidade até á Modernidade A maioria dos investigadores está de acordo ao afirmar que a profissão de enfermeira surgiu na Ìndia por volta do séc VI aC. No Sushruta Samhita, descreve-se as qualidades de uma enfermeira exemplar: limpeza, inteligência e simpatia, e devia saber controlar o seu mau génio e ser totalmente fiel e dedicada ao médico. O ponto de Partida da enfermeira moderna deve ser procurado na atividade filantrópica de Elizabeth Fly ( 1780-1845) Um pastor Teodoro Fliedner visitou o reino Unido e ficou surpreendido com as lições desta Após regressar a Dusseldorf,abriu uma escola de diaconisas para voluntárias, para mulheres que quisessem dedicar-se ao cuidado dos doentes nas suas casas(1836) Algum tempo depois, Florence Nightingale (1820-1)10) deslocou-se até à escola e ali conheceu o projeto do casal Fliedner pelo outro Em 1854 estalou a guerra da Crimeia , que opôs a França e Reino Unido por um lado e a Rússia e Florence, á frente de um reduzido número de mulheres prestou assistência aos feridos do lado inglês. No final da guerra tinha um corpo de 125 mulheres totalmente treinadas naquelas funções médicas. No seu regresso a Inglaterra (1856) Florence Nightingale “ a dama da Lâmpada “ fundou uma escola de enfermagem no Hospital de São Tomás em Londres e desenhou um uniforme para as alunas, composto por uma touca engomada, uma saia vermelha e um avental branco Na modernidade, Margaret Ann Bulkley ( 1795- 1865 ) conseguiu ,apesar da proibição, exercer Medicina. Para tal teve que esconder o seu sexo, disfarçar-se de homem e dar pelo nome de James Barry- só desta forma conseguiu ingressar na escola de Medicina e na Marinha Britânica, chegando a Inspetor -geral dos Hospitais A drª Bulkley conseguiu realizar a 1ª cesariana da História Em 1840, Elisabeth Blackwell (1821-1910) passou à história por ser a 1ª licenciada de uma faculdade dos EUA Escola de Medicina do Geneva College de Nova Iorque , suportando um ambiente hostil da parte dos seus colegas Em Filadélfia ,as mulheres viriam a optar por criar a sua própria escola médica- mal vista pelos profissionais homens, que viam nisso uma manifestação da “pestis mulieribus” a peste das mulheres a atormentar o mundo E nós por cá, em 1889,em Portugal,.....licenciada pela Escola Médica de Lisboa ,Elisa Augusta da Conceição Andrade(1865-), a 1ª médica portuguesa teve honras de clarinete “Para trás a touca de rendas e o avental de chita, para trás o tricot e a agulha de marfim, para traz o pot au feu! Honra à Ciencia ! Glória ao bisturi! “ Diário de Notícias 1 /9 /1889
Referências --Nova História da Medicina- Pedro Gargantilla
-Território da Emoção--- Moacyr Scliar
-- JLNA
Comentários
Enviar um comentário