É A AUTO_AJUDA UMA MEDICINA ALTERNATIVA ?

A palavra placebo (do latim agradarei) refere-se a medicamento (uma substância ou procedimento) inerte ministrado com fins sugestivos ou morais, que pode aliviar padecimentos unicamente pela fé que o doente tem nos seus poderes - Dicionário Porto Editora. Poder-se-á perguntar será o acto de leitura, um placebo? Parece-nos que sim, se for de ficção, tal como no cinema há um imaginário de um escritor ou de um cineasta que lhe está subjacente e nele tenta agarrar o leitor ou o espectador (pois este, acaba por ser o objectivo ultimo da própria criação ficcional). É este agarrar que exerce um efeito que poderíamos chamar de terapêutico. A ficção ajuda a viver. E isso inclui uma melhora da saúde – pelo menos do ponto de vista psicológico. Para muitos de nós, a leitura é um amparo, um consolo, uma terapia. Daí derivou o surgir de um género de livros que se tornou popular: as obras de auto-ajuda. Diferentemente da ficção, elas aconselham o leitor acerca de problemas específicos: controle do stress, divórcio, depressão, ansiedade, relaxamento, auto-estima, e luto. Esse tipo de leitura tem um enorme sucesso; não há livraria que não tenha uma secção destinada especialmente à auto-ajuda. Tem destaque notório, o médico hindu. Deepak Chopra mundialmente tido como referência. Mas é vulgar vir associado a esta busca de auto-ajuda, a busca de múltiplas medicinas alternativas, que a globalização nos traz e para as quais, não faltam críticos. O argumento principal é de que a medicina oficialse baseia no método experimental do sr Claude Bernard, em evidências resultantes de estudos epidemiológicos, estatísticos, o que não acontece com muitos dos métodos alternativos. Isto não quer dizer que esse tipo de tratamento não actue, ou que a literatura de auto-ajuda não surta efeito. Neste último caso, o que temos é um apelo psicológico e ou espiritual, traduzido na palavra escrita, que, ao longo do tempo, sempre teve uma auréola de “autoridade” e de “verdade”. Não é por acaso que as três grandes religiões monoteístas, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, se baseiam em textos: o Antigo Testamento, o Novo Testamento, o Corão. Entre os muçulmanos, é frequente a expressão “povos do livro”. Por outro lado, a própria medicina oficial tem uma vasta tradição de obras escritas para o público em geral. Pensa-se, pioneiro de todos eles, o Regimen Sanitatis Salernitanum (Regime de Saúde da Escola de Salerno) – uma das primeiras escolas médicas do Ocidente – datada do século XII ou XIII, que sugere conselhos em versos, para facilitar a leitura e a memorização. Creia-se ou não na auto-ajuda, ela trás um alerta, que é útil para a medicina oficial: o paciente precisa da bengala das palavras, para seguir o seu caminho. E se a não encontra um médico, que escute as suas palavras e utilize um ritual mágico encoberto -pacebo, ele recorrerá a livros de auto -ajuda ou às múltiplas medicinas alternativas(que por aì pululam) na procura , afinal de contas de.... um outro pacebo. JLNA Publicada por JLNA à(s) 10:11 Sem comentários:

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