Doença mental e criatividade
Elas por vezes estão associadas
Afinal o que é criar ?
É inovar, surpreender, escapar dos padrões habituais . ora essas características podem ser muito bem aplicadas à doença mental, a tal ponto , que em certos artistas são inseparáveis . é o caso de Munch (autor do famoso grito) sendo psicótico e admitindo-o, temia que o tratamento pudesse reduzir o seu potencial artístico
Mas existe um denominador comum entre criatividade e doença mental?
Esta dúvida já tinha sido formulada por Aristóteles, no famoso Problema XXX “ porque razão todos os que foram homens de excepção no que diz respeito à filosofia, á poesia ou ás artes são manifestamente melancólicos ? Será sómente a melancolia?
Grosso modo, duas doenças têm sido associadas ao processo de criação artística
A esquizofrenia
Doença bipolar
A literatura parece limitar-se há bipolaridade e o processo de elaboração mental das esquizofrenias encontram-se mais frequentemente ligada às artes plásticas
A literatura tem como essência um mínimo diálogo entre escritor e leitor, no caso bipolar essa comunicação atende a uma necessidade de atenção e de aprovação, enquanto no jornalismo a essência é a comunicação
Ambos vociferam “ leiam-me , não me deixem morrer” como implorava uma escritora norte americana Edna St Vincent Milay ( 1892 -1950). O reconhecimento ,mesmo que entre poucos, –Gustave Flaubert, dizia que 100 leitores eram para ele, mais que suficientes –representava certamente um imcremento da sua auto estima .
As fases da doença bipolar favorecem o processo da criação literária, uma vez que, correspondem à alternância característica da actividade do escritor
Uma fase de recolhimento “, de elaboração de ideias ; seguida de um período de produção (inspiração e transpiração)
Torna-se claro que isso só funciona quando estas fases são brandas e estejam excluídas fases de furor maníaco festivo ou iracundo ou estados melancólicos letárgicos e asténicos profundos ou melhor dizendo, nos estados hipomaníacos e de melancolia moderada
Nas artes plásticas o espectro da doença mental já é psicopatológicamente mais alargado e engloba mais as psicoses “funcionais” ou as esquizofrénicas
No respeitante à esquizofrenia que Benjamim Rush, médico americano, terá comparado a um terramoto que desloca placas tectónicas do “ espirito civilizado” e liberta um potencial submerso equivalente a fósseis valiosos. Daí terapeutas ocupacionais e outros agentes de saúde mental, terem ancestralmente utilizado” a expressão através da arte” como terapia, afim de organizar os tais os conteúdos fosseis. Ao lidar através de materiais diversos (artes plásticas) do corpo e dos sentidos (música , dança, expressão corporal),os sentimentos, as emoções reermegem mais ordenados , mais domados, tomando matizes diferenciadas à reanálise, de molde a poder ser domesticado e organizado o apocalipse, já experienciado . Por vezes após estas práticas, parece haver a Apofania
.
A doença em si, não faz de ninguém um artista, e a maioria das vezes não acompanha a arte pois assim um Departamento de Psiquiatria, seria inexoravelmente um centro cultural da respectiva região. Sómente pode simplesmente, acompanhar a vida do artista, e como companheira, pode potenciá –la( caso do Munch) ou diminui-la ( Nytche ) , pode-lhe diminuir o sofrimento ou aumentá-lo.
Têm os artistas algum tipo de comum de manifestação de doença mental? Nós arriscamos, têm “la solitude “( a solidão) de Leon Ferré, com mais ou menos Melancolia com mais ou menos delírio “ saída do sulco “
Também nós, somos da opinião, que a “loucura” está mais no silêncio que no grito.
Viseu 2018 JLNA
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