BIBLIOTERAPIA
A literatura desde tempos antigos ,sempre foi “ pau para toda a colher”, serviu para divertir, serviu para informar e formar e… para cuidar doentes e doenças
No primeiro hospital para doentes mentais dos EUA, o Pennsylvania Hospital (fundado em 1751 por Benjamin Franklin),na Filadélfia, os pacientes não apenas liam como escreviam e publicavam seus textos num jornal muito curioso chamado “ O Iluminador “ (traduzido) .
Desde 1981 existe nos Estados Unidos uma Associação Nacional para a Terapia pela Poesia, cuja finalidade é o uso da literatura para o desenvolvimento pessoal e o tratamento de situações patológicas.
Esta associação edita o Journal for Poetry Therapy, realiza cursos e confere o título de especialista em biblioterapia. O biblioterapeuta trabalha em hospitais, instituições psiquiátricas e geriátricas, prisões. O método aparenta não ser complicado: ele seleciona um poema, ou um texto de romance que é lido para a pessoa ou pessoas. A resposta emocional desta é então discutida. E as respostas emocionais a textos podem ser muito intensas.
O exemplo mais flagrante, dessa resposta, é Werther, de Goethe, cuja jovem personagem se suicida. A publicação desta obra suscitou uma onda de suicídios por toda a Europa, coisa que hoje é lembrada, quando se discute a veiculação de notícias semelhantes pelos média. O mecanismo básico que aí funciona é o da identificação, algo que começa muito cedo.
Bruno Bettelheim(1903-1990)psicólogo americano de origem austríaca, sobrevivente de campos de concentração nazis, demonstrou que os contos de fadas exercem um papel importante na formação do psiquismo infantil, não apenas fornecendo modelos com os quais a criança se pode identificar, como também pode ser, um libertar de tensões emocionais.
Na adolescência, os modelos passam a ser outros. E houve épocas em que os jovens despertavam para sexo com a literatura conhecida como "pornográfica" ( quem não se lembra do célebre “Crime do Padre Amaro” de Eça de Queirós, ou “Madame Bovary “de Gustav Flaubert?).
E, no século XIX, eram os grandes romances de Balzac a Dostoievski por exemplo,que acompanhavam as pessoas no seu viver. Esse papel, actualmente foi assumido pelo cinema e pela tv e redes sociais, mas a proliferação das obras de autoajuda mostra que as pessoas continuam a acreditar em livros como guias para a saúde e para a cura.
Por último, mas não menos interessante, a literatura é importante como fator de estabilidade emocional para os próprios escritores. A associação entre talento e distúrbio psíquico é antiga. Aristóteles já observava que o gênio com frequência é melancólico.Daí o adágio popular: “De poeta e de louco todos nós temos um pouco”. Kay Redfield Jamison, professora de psiquiatria na Universidade Johns Hopkins, estudou a vida de numerosos poetas e escritores, concluindo que há “uma convincente associação, para não dizer real superposição”, entre temperamento artístico e padecimento emocional ou mental. Nestas condições, escrever , pode ser uma forma de descarregar a angústia e de colocar (ao menos no papel) ordem no caos do mundo interno. Porque a palavra é um instrumento terapêutico, é o grande instrumento da psicanálise e das múltiplas psicoterapias existentes. E a palavra escrita tem respeitabilidade, tem mística. Não é por acaso que as três grandes religiões monoteístas o judaísmo, cristianismo e o islamismo, se baseiam em textos: o Antigo Testamento o Novo Testamento e o Corão. Daì a designação de “ povos do livro “
Todos nós beneficiaremos do ato de ler e de escrever. É terapia, sim, e é terapia prazenteira, acessível a todos; pois, nos tempos que correm …
Comentários
Enviar um comentário