As Drogas através dos tempos
Em Portugal as autoridades apreenderam em 1979, 41Kg de haxixe e em 1989, 4,3 toneladas. Esta é sem dúvida uma pequena parte detectada do imenso« Iceberg» que é o narcotráfico
Sabemos que esta temática da droga, transcende a medicina e até a saúde, que tem um passado e um triste presente.
É sobre este passado que hoje pretendemos debruçar-nos.
Não nos é difícil imaginar que o homem primitivo, na busca de alimentos ,tropeçou em coisas que com elas se envenenou (parcialmente). E encontrou substâncias que fizeram o homem sair do seu .
Ora esse homem primitivo vivia angustiado por perigos variados e, como tal, parafraseando o Prof. Miller Guerra (A Angústia á a mãe do mito) o homem foi criando os seus mitos as suas superstições e criou-se a mentalidade de > Álcool, Alucinogénios, Excitantes, etc…, que são parte integrante de rituais, de iniciação; culto dos mortos; matrimónio; de exorcização , etc… A arte de trabalhar com estes <> era pertença de Xamâs; Mágicos; Sacerdotes; Feiticeiros.
Os Portugueses através dos Descobrimentos, fazem vastas transferências de alimentos de clima para clima. Levámos a Banana do Oriente para a América Latina e desta trouxemos, para o resto do mundo, a batata, o feijão e o milho, o que representou uma melhoria acentuada na alimentação do homem. Simultaneamente também divulgámos os alimentos sagrados, aqueles que têm mágico poder de propiciar a comunicação com o sagrado.
Foram principalmente os intelectuais no século XIX, Rimbaud e Baudelaire que, manuseando drogas pesadas, criaram a ideia de que elas alimentam uma forma de imaginário, beneficiam qualquer forma de encanto pessoal, actuam como desinibidor erótico e estimulam a criatividade. Conseguiram que houvesse uma aceitação tolerante, ao reconhecer-lhes estes efeitos. No entanto, hoje sabe-se que isto não corresponde inteiramente à verdade.
Sem querer, estava-se no prelúdio de uma contracultura que tem sinal de morte e destruição.
Já neste século, antes da 2ª Guerra Mundial, foi formado o Sindicato do crime e para crime nos E. U. A. Que estavam mergulhado no mundo da droga.
Mas foi principalmente nos anos 50 e 60 que se construíram poderosas máquinas que geraram “Polvos>> antigos e de agora.
Quem não se lembra de Luky Lucien, de Alcapone, de Noriega, para não falar de bancos com a finalidade de > o dinheiro sujo que advinha do tráfego, investindo em variados sectores económicos.
Quem não se lembra do filme, Era uma vez na Améria!.
Se assistimos à emergência e triunfo dos barões do narcotráfico, verificamos que também estes Gangsters, - graças à acção dos mass média – se instituíram como perigosos modelos para largas camadas de jovens.
A partir dos anos 60; as drogas passam a desempenhar uma função na economia duma cultura juvenil. O movimento hippy vem generalizar o consumo da droga. Vivia-se um período de > e optimismo , após expansão rápida da economia. Consome-se droga numa atitude crítica em relação aos valores vigentes e uma recusa de integração social. Eles colaboram em busca de valores alternativos, são um passaporte para um revigorado entusiasmo e também um meio para conhecer zonas ocultas da mente. A droga era sempre um rito iniciático quase obrigatório. Eram preferidas a Marijuana e Alucinogénios (L.S.D.).
Nos anos 70; regista-se um choque petrolífero com inevitáveis efeitos de recessão económica generalizada, desemprego, e o jovem vai procurar o Paraíso na Terra; é já em si uma atitude de desistência num refúgio no Paraíso inferior, químico e efémero, proporcionado pelo abuso de heroína, geralmente associada à delinquência e prostituição.
Nos anos 80; surge uma recuperação da economia , com um certo substituído pelos valores de eficácia, de operacionalidade, competição exacerbada, e vem a preponderância das substâncias estimulantes. Anfetaminas e Cocaína as quais aumentam a resistência à fadiga.
Da breve síntese cronológica anterior a qual não deve ser interpretada de modo forçosamente linear, podemos concluir que as transformações culturais através do tempo, ajudam a compreender a diferença na escolha das drogas prevalecentes. No entanto, pensamos que o factor social mais crítico na disseminação do consumo duma droga é a própria abundância da droga os caudais de angustia que ela calará.
Viseu 24/1/1991
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