A doença como arma -Cronologia do Bioterrorismo

Mais do que mísseis ou bombas, as doenças resultam em armas apavorantes. Criam um clima de permanente paranóia. É possível identificar um terrorista, mas não é possível detectar germens de doença logo imediatamente e arranjar-lhe antídotos. Assim nasceu o bioterrorismo ,que consiste, básicamente, no emprego de microrganismos dotados de grande capacidade invasiva no ser humano, os quais podem provocar a aparição de graves doenças com tendência a manifestar-se em forma de epidemias. Se os micro-organismos que se podem empregar no bioterrorismo são vários, de todos eles há dois que preocupam especialmente pela sua elevada mortalidade: o bacilo do carbúnculo ou antraz e o vírus da Varíola Já neste século, nos poucos meses depois do terrível atentado múltiplo das Torres Gémeas de Nova York e outros em território dos EUA, que ocorreram em 11 de Setembro de 2001, um caso de bioterrorismo manteve em alerta os Estados Unidos durante semanas. O que inicialmente se supunha que era um grupo terrorista islâmico enviou sete cartas com esporos de antraz a diferentes lugares do país. Um dos primeiros casos se detetou na Flórida, o doente faleceu de forma fulminante. No total houve 22 pessoas infetadas, das quais cinco faleceram. Pouco a pouco a sensação de pânico se foi generalizando e se temeu que se poderiam produzir novos casos, noutros pontos do planeta. Estes augúrios não se chegaram a cumprir e o alerta por antraz, desapareceu tal como havia surgido. A varíola é outra das enfermidades a que se alude quando se pensa em bioterrorismo, - trata-se de uma enfermidade erradicada em todo o planeta desde 1977 e como tal, não figura nas campanhas de vacinação de nenhum país. Contudo, o vírus responsável desta doença não foi erradicado, guardam-se amostras do microrganismo em dois laboratórios, um na Sibéria (Rússia) e outro em Atlanta (Estados Unidos). No entanto esta guerra biológica tem necessariamente a sua história desde o fundo dos tempos , assim: Grécia – Guerra de Troia- guerreiros utilizaram as pontas das flexas e lanças com venenos de serpente Atenienses séc. VII a.C, envenenavam a reserva de água de Crisa – cidade perto de Delfos com heléboro, uma planta tóxica com que envenenavam as suas flechas Cartagineses sob o comando de Anibal 190 a.C. lançaram panelas cheias de víboras nos conveses dos barcos inimigos No séc.III a guerra que opôs Romanos e Persas , romanos foram asfixiados por um gás venenoso, uma mistura de enxofre e betume Cartagineses sob o comando de Aníbal 190 a.C. lançaram panelas cheias de víboras nos conveses dos barcos inimigos Durante o Medievo Europeu 1422 exercito lituano catapultou cadáveres com peste e excrementos para os defensores austríacos 1495 espanhóis entregaram a um exército francês vinho contaminado com sangue de leprosos O catapultar cadáveres de guerreiros mortos pela peste Negra foi um método muito utilizado Talin (praça forte(Estónia ) 1710 pretendia-se o contágio e o pânico entre os sitiados . Quando a guerra passa a ser também na América “Novo Mundo” a doença “arremessada” já passa a ter uma componente viral Os atacantes estão imunes a ela Transmite-se muito facilmente de pessoa para pessoa e através do contacto dos objetos Os europeus descobriram rapidamente os estragos que a varíola fazia entre os nativos Há testemunhos epistolares que o exército Britânico utilizou de forma deliberada o vírus da varíola na guerra contra nactivos norte-americanos , na segunda metade do séc XVIII (envio de mantas de doentes com varíola britânicos (não tinham defesas imunológicas face a essa doença ). I guerra Mundial (1914-1918 ) empregaram-se venenos químicos (gás mostarda , gases lacrimogénicos calcula-se que devido aos seus efeitos tombaram 3% de mortos).Surgiram as máscaras anti-gás Os países em conflito horrorizados assinaram o acordo – o protocolo de Genebra elaborado na liga das Nações em 1929,que está em vigor até aos dias de hoje , proíbe o uso de agentes asfixiantes e venenosos , bem como o uso de armas bacteriológicas e virais No entanto no advento da II Guerra Mundial o general Shiro Ishii, á frente da temida Unidade 731 cujo nome oficial era “ Departamento de Purificação de Águas e Prevenção de Epidemias” levou a efeito experiências em prisioneiros de guerra chineses.Este militar foi responsável por terem surgidos em diferentes regiões da China epidemias de cólera , peste e carbúnculo 1939 o Japão atacou a Rússia com armas biológicas , poucas semanas antes de Hitler ter invadido a Polónia e infetou as suas reservas de água na fronteira da Mongólia com bactérias tifoides Durante a II guerra Mundial O Reino Unido centrou-se na produção de antraz em Porton Down , no sul de Inglaterra Planearam ataques com 106 bombas de antraz Alemães dispunha de bombas de antraz (felizmente que a guerra acabou sem que estas bombas tivessem sido lançadas) Os americanos após assinarem um acordo com os britânicos e os canadianos ,encarregaram-se de produzir bombas de carbúnculo e o Canadá de as testar No Canadá foram produzidas enormes quantidades de toxina botulínica,um dos agentes mais letais que existem (esta toxina pode contaminar a água e os alimentos durante vários anos ) Em 1972, viria a redigir-se a “Convenção Sobre Armas Biológicas e Tóxicas”,ratificada por 77 países e na qual se proíbe a produção, compra e armazenamento destes agentes. No entanto, posteriormente a esta data,viriam a ser utilisadas por militares da África do Sul durante o” Apartheid”, assim como, militares da antiga “ Rodésia”

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