“A cura para a Diabetes”
“A cura para a Diabetes”
Título triunfal em manchete da 1ªpágina do jornal New York Times1922
“A carne se liquefaz em urina.” Com estas palavras Areteu da Capadócia, um médico dos primeiros anos da Era Cristã, descreve a diabetes.A palavra Diabetes é de origem grega e significa Alude a dois sinais da doença: o emagrecimento e o muito urinar. Um outro sintoma, a sede, consequência da desidratação provocada por esta poliúria .A diabetes é uma doença conhecida desde a Antiguidade. Os sintomas são evidentes, e nem foram preciso laboratórios para o diagnóstico: as formigas que acorriam ao local em que os diabéticos urinavam evidenciavam a presença do açúcar nesta urina. Os médicos antigos catavam a urina excessiva e notavam que em algumas ocasiões tinha um sabor doce, como o mel e por isso chamaram à aquela doença Diabetes Mellitus(há uma outra diabetes, Insípida, em que a pessoa urina muito, mas a urina não contém glicose).
Na Antiguidade ocidental a proibição dos doces já era recomendada. No entanto o açúcar era muito menos usado. Os alimentos eram adoçados com mel, produto mais difícil de obter — enfrentar abelhas não é fácil — e no qual os glicídios estão necessariamente diluídos. Mas, veio a descoberta da América. O Caribe e o Nordeste brasileiro foram destinados quase que exclusivamente ao cultivo (com mão de obra escrava) da cana-de-açúcar — para satisfazer a gula europeia. Em cem anos o consumo de açúcar na Inglaterra aumentou em 800%. A obesidade era sinal de beleza: basta olhar as gordinhas holandesas no quadros de Rubens para constatá-lo e… a diabetes foi emergindo como um problema de saúde pública. Havia um enigma na enfermidade: em que órgão ela se originava? A resposta foi dada, com toda a certeza, em 1890, quando Joseph von Mering e Oskar Minkowski provaram que ao retirarem o pâncreas a cães, eles desenvolviam uma diabetes rapidamente letal.
Mas foi somente no século xx, que dois pesquisadores da Universidade de Toronto, Frederick Banting e Charles Best, conseguiram isolar das chamadas ilhotas de Langerhans (agrupamentos de células dispersos no pâncreas) uma substância capaz de regular o metabolismo do açúcar. Denominaram-na insulina, porque “insulina”, em latim, é ilha. Em agosto de 1921,injectaram numa cadela diabética chamada Marjorie a insulina obtida de pâncreas de cães pancreatectomizados, e conseguiram demonstrar uma descida da concentração sanguínea de glicose. A seguir, Banting e Best injectaram-se a si próprios, para se assegurarem de que a insulina não prejudicaria os pacientes diabéticos e, finalmente, em janeiro de 1922, injectaram-na num adolescente de 14anos, Leonard Thompson, com relevantes melhoras na sua diabetes juvenil. O tratamento do diabetes passava por uma revolução. Ainda que a descoberta se tenha realizado em sólida e estreita colaboração de Best,o prémio Nobel foi concedido BantingY John Macleod que era o chefe de ambos na universidade de Toronto, apesar de que este não havia participado directamente na investigação e inclusive havia estado contra os métodos de trabalho dos seus subordinados. Assim se viu que os académicos suecos não consideraram suficiente a categoria de estudante e por outro lado sentiram-se na obrigação de premiar alguém que, se tinha amplo prestígio pessoal no mundo científico, neste caso estava bastante á margem
Para finalizar com este revolucionário avanço cabe dizer que, em 1926, Johan Jacob Abel (1857-1938), professor de farmacología do Hospital Johns Hopkins de Baltimore (Estados Unidos), sintetizou a insulina em forma cristalina,marcando assim o inicio de uma nova época mais promissora.Mas , e nestas coisas há sempre um mas, a realidade é esta;hoje passados 100 anos desta descoberta, ainda não se descobriu a "Cura para a Diabetes"(apesar de haver estoicos avanços)
JLNA
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